Resumo: cinco réus foram condenados pela chacina mais brutal já registrada no Distrito Federal. Ao todo, as penas somam 1.258 anos, 2 meses e 8 dias de prisão, com a maior pena individual para Gideon Batista Menezes, de 397 anos, 8 meses e 4 dias, além de detenção e multas. O julgamento, realizado no Tribunal do Júri de Planaltina, ocorreu em seis dias e esteve ligado a uma disputa de terreno avaliada em cerca de R$ 2 milhões.
O júri, encerrado na noite de sábado (18/4), ficou marcado pela serenidade dos jurados e pela duração de seis dias, considerado o segundo maior caso já registrado na história do DF, atrás apenas do chamado Crime da 113 Sul. Ao todo, 18 testemunhas foram ouvidas e houve quase sete horas de debates entre defesa e Ministério Público, com os réus respondendo por homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor.
As penas atribuídas a cada réu foram definidas com rigor: Gideon Batista de Menezes recebeu 397 anos, 8 meses e 4 dias de reclusão, mais 1 ano e 5 meses de detenção e 716 dias-multa; Horácio Carlos Ferreira Barbosa teve 300 anos, 6 meses e 2 anos de reclusão, mais 1 ano de detenção e 407 dias-multa; Carlomam dos Santos Nogueira foi condenado a 351 anos, 1 mês e 4 dias de reclusão, mais 11 meses de detenção e 716 dias-multa; Fabrício Silva Canhedo recebeu 202 anos, 6 meses e 28 dias de reclusão, mais 1 ano de detenção e 487 dias-multa; já Carlos Henrique Alves da Silva foi absolvido do homicídio de Thiago, mas deverá cumprir dois anos de reclusão.
Entretanto, o veredito não apenas encerra uma sequência de crimes brutais, como também remete a um cenário de conspiração planejada entre outubro de 2022 e janeiro de 2023. Os cinco investigados formaram uma aliança para tomar a chácara Quilombo, no Itapoã (DF), avaliando a área em torno de R$ 2 milhões. O objetivo era eliminar toda a família da vítima e assumir o controle do terreno, independentemente de quem fosse o proprietário formal.
A linha do tempo do caso revela a brutalidade da operação: em 27 de dezembro de 2022, parte do grupo rendeu o patriarca Marcos Antônio Lopes de Oliveira, sua esposa e filha, roubando cerca de R$ 49,5 mil e levando as vítimas para um cativeiro em Planaltina, onde Marcos foi morto. Nos dias seguintes, as mulheres foram ameaçadas, forçadas a fornecer senhas e contas bancárias, para que os acusados pudessem se passar por elas e atrair outros familiares. Entre 2 e 4 de janeiro, Claudia da Rocha e Ana Beatriz também foram capturadas; em 12 de janeiro, Thiago, filho de Marcos, foi atraído para o cativeiro, e a partir daí o grupo levou o restante da família a diferentes locais, queimando corpos e objetos para dificultar as investigações.
A investigação também indica que o motivo principal era a disputa por um terreno com cachoeira, áreas de pastagem e várias hectares. O imóvel, segundo o veredito, não pertencia aos verdadeiros donos da família, que estavam litigando a posse desde 2020. A intenção era manter o controle da área sem deixar herdeiros vivos, o que explica a sequência de assassinatos e a tentativa de ocultar as memórias das vítimas por meio de incêndios e remoção de evidências.
O julgamento, iniciado na segunda-feira (13/4) e concluído no sexto dia, ficou marcado como o segundo mais longo da história do Distrito Federal, com 18 testemunhas, quase sete horas de debate e a participação de cinco réus sob acusações de homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menor. Os integrantes do grupo responderam por esses crimes e, no caso de Carlos Henrique, houve absolvição de um homicídio específico, com pena residual de dois anos de reclusão.






Para acompanhar os desdobramentos, leia com atenção os detalhes do julgamento, que consolidam uma narrativa de violência extrema e de busca por justiça. Compartilhe suas perguntas, impressões e opiniões sobre o caso nos comentários, ciente de que este é um tema sensível que envolve famílias inteiras e uma cidade em choque.

