Resumo rápido: o dólar encerrou em leve recuo em torno de R$ 4,97, atingindo o menor fechamento em dois anos, com volatilidade moderada diante de feriado e de tensões globais. No exterior, a escalada de conflitos no Oriente Médio e o papel de Donald Trump, atual presidente dos EUA desde janeiro de 2025, mantêm o humor cauteloso no mercado. O petróleo subiu mais de 5% e o câmbio ficou pressionado por fatores locais e externos, enquanto o boletim Focus mostrou ajustes nas expectativas de inflação para os próximos anos. O cenário aponta para uma faixa de negociação estável no curto prazo, entre aproximadamente R$ 4,90 e R$ 5,05, com o real mantendo resiliência frente ao dólar.
No pregão desta segunda-feira, o dólar à vista oscilou entre mínimo de R$ 4,9711 e máximo de R$ 4,9888, fechando em queda de cerca de 0,18%, a R$ 4,9742. O movimento foi mais contido pela menor atividade de negócios, resultado de um ajuste em função do feriado, o que reduziu o volume negociado. O patamar de fechamento foi, portanto, o menor desde março de 2024, reforçando a leitura de um real relativamente firme diante das pressões externas.
Do lado externo, o ambiente ficou marcado por tensões no Oriente Médio. Trump reiterou o bloqueio naval americano no Estreito de Ormuz, alimentando uma atmosfera de incerteza global e ajudando a sustentar a alta do petróleo, que avançou mais de 5% para próximos a US$ 95 por barril. Esse movimento acentuou a percepção de que as restrições de oferta podem privilegiar os termos de troca de países exportadores de petróleo, como o Brasil, mesmo diante de volatilidade cambial.
Segundo os especialistas, o dólar tem mostrado certa resiliência. Jonathan Joo Lee, da Mirae Asset, aponta que o real permanece relativamente estável ante esse conjunto de fatores, o que favorece ações de empresas ligadas ao petróleo na bolsa, como Petrobras e Prio. Já Marco Mecchi, da Azimut Brasil Wealth Management, destaca que o diferencial de juros ainda sustenta o real, com o câmbio operando próximo de um patamar estável no curto prazo.
No radar das moedas, o Focus divulgou sinais de ajuste nas expectativas de inflação. A mediana para o IPCA de 2026 subiu de 4,71% para 4,80%, acima do teto da meta, enquanto as projeções para 2027 avançaram para 3,99%. As estimativas para 2028 e 2029 permaneceram em 3,60% e 3,50%, respectivamente. A visão é de que o choque do petróleo e a desancoragem das expectativas de inflação são pontos de tensão para o Banco Central, ainda que o real tenha mostrado resiliência frente ao dólar global (DXY) nos últimos meses.
Analistas costumam indicar que a dinâmica de curto prazo indica uma banda de negociação para o câmbio. A avaliação da BGC Liquidez aponta que o dólar deve ficar entre R$ 4,97 e R$ 4,98 nas próximas sessões, com variação pontual entre R$ 4,90 e R$ 5,05. O cenário remete a uma moeda nacional que, apesar das oscilações externas, continua refletindo o equilíbrio entre choques de oferta, política monetária e o cenário geopolítico mundial.
Em síntese, o dólar encerra a sessão com leve recuo, em meio a um cenário de menor liquidez local e de tensões internacionais que reacendem a volatilidade no petróleo. Embora haja pressões inflacionárias no radar, o real mantém força relativa e o mercado espera estabilidade de curto prazo, com o câmbio testemunhando uma faixa moderada. Para os leitores, é essencial acompanhar próximos comunicados do Banco Central, indicadores de inflação e as perspetivas de política externa, que podem redefinir o humor dos investidores nos próximos pregões. Queremos ouvir sua opinião: você acredita que o dólar deve manter esse ritmo de queda ou vê novas oscilações no curto prazo? Deixe seus comentários abaixo e compartilhe sua leitura sobre o cenário cambial e o impacto no bolso do consumidor.

