Delatora diz que Uldurico pedia para retirar algema de traficante em reunião

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Resumo: uma ex-diretora da prisão de Eunápolis, na Bahia, afirma que o político Uldurico Alves Pinto negociou a fuga de 16 detentos com o traficante Dada, num esquema estimado em cerca de R$ 2 milhões, com adiantamento de R$ 200 mil. O pagamento foi feito em parte em dinheiro e em parte por meio de PIX, e a operação incluía a retirada de algemas para facilitar a fuga.

Joneuma Silva Neres, primeira mulher a chefiar a unidade, assumiu o posto em março de 2024 e iniciou funções em 25 de março. Ela relatou encontros com chefes de facções e disse que Uldurico pediu para conversar a portas fechadas com esses líderes, solicitando também a retirada de algemas durante as visitas. Na época, o ex-deputado era filiado ao MDB e tinha Geddel Vieira Lima como líder na Bahia.

Segundo a ex-diretora, o episódio da fuga ocorreu em 12 de dezembro de 2024, quando 16 detentos escaparam. Ela afirmou que, em outubro daquele ano, em 14 de outubro, Uldurico viajou a Eunápolis para insistir em manter contato com Dada e tentar obter recursos financeiros para suas contas.

Ela descreveu ainda que Uldurico retornou para novos encontros com os mesmos criminosos em 1º de abril, e houve outra reunião entre maio ou junho do mesmo ano. Matheus da Paixão Brandão, então secretário parlamentar de Uldurico, participou de outras três ocasiões para tratar do assunto com as lideranças do Tráfico. Entre os envolvidos, o traficante Ednaldo Pereira Souza, conhecido como Dada, figura como o principal articulador.

Conforme o relato, a negociação previa o pagamento de R$ 2 milhões, com um adiantamento de R$ 200 mil, sendo a primeira parcela de R$ 150 mil entregue em uma caixa de sapato ao pai de Uldurico Alves Pinto, que também atua politicamente, e o restante transferido por PIX. A narrativa envolve a tentativa de obter recursos para quitar dívidas e manter influência sobre a operação da unidade.

O caso também traz acusações indiretas a figuras públicas, incluindo menções a um possível papel de Geddel Vieira Lima, que negou qualquer envolvimento ou conhecimento do episódio, afirmando que não recebeu recursos nem participou da suposta negociação. A defesa de outros citados sustenta que o objetivo de associar nomes à história seria desqualificar as declarações apresentadas pela ex-diretora.

A investigação continua para confirmar a veracidade das informações, identificar responsáveis e esclarecer a dinâmica entre política, segurança pública e crime organizado na região sul da Bahia. O episódio reacende o debate sobre o controle institucional de unidades prisionais e a fiscalização de potenciais influências externas que possam fragilizar a integridade do sistema. Deixe sua opinião nos comentários sobre o peso da política na segurança pública local e quais medidas você defenderia para evitar que situações como essa se repitam.

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