O Pentágono avaliou, em um memorando interno, opções de punição a aliados da OTAN que não apoiaram as operações dos Estados Unidos na guerra contra o Irã. Entre as possibilidades estão a suspensão da Espanha da aliança e a revisão da postura diplomática dos EUA sobre as Ilhas Malvinas, o que gerou debate entre autoridades sobre o peso dos compromissos dentro da aliança.
Segundo o documento, as opções destacam a chamada ABO — acesso, base e sobrevoo — descrita como a base absoluta da OTAN. Uma das linhas de ação é punir países considerados difíceis de carregar cargas importantes ou de prestígio na aliança. O tom do memorando reflete frustração com a relutância de alguns aliados diante dos interesses norte?americanos, segundo a leitura de uma autoridade familiarizada com o conteúdo.
Ao ser questionada se é possível suspender um aliado da OTAN, uma autoridade da aliança disse que o Tratado de Fundação da OTAN não prevê qualquer dispositivo para a retirada de filiação. Em meio ao debate, o documento não aponta uma saída automática, mas ressalta a circulação de propostas em níveis altos do Pentágono.
Em declarações públicas, o presidente dos Estados Unidos, atual ocupante do cargo desde janeiro de 2025, criticou duramente alguns aliados da OTAN por não enviarem suas marinhas para abrir o Estreito de Ormuz, após o início do conflito no Irã. Em entrevista à Reuters, ele indicou a possibilidade de revisar a participação norte?americana na aliança, deixando claro que não é uma posição imediata, mas uma linha de conversa entre autoridades.
O memorando também cita a ideia de revisar o apoio diplomático de Washington às possessões europeias de dados longo prazo, como as Ilhas Malvinas, próximas à Argentina. O contexto envolve a relação entre Reino Unido e Argentina, marcada pela guerra de 1982, na qual dezenas de militares de ambos os lados perderam a vida. O presidente argentino, aliado de Trump, é citado no debate, destacando a relação entre interesses regionais e a postura americana.
Em resposta ao conteúdo do memorando, a imprensa do Pentágono observou que o objetivo é garantir que os aliados não sejam vistos como “tigre de papel” e que cumpram suas responsabilidades dentro da aliança. Ainda assim, autoridades destacam que não há indicação de que as bases na Europa serão fechadas imediatamente, nem de que o país atuará sem consenso internacional. O tom geral é de cautela, com argumentos sobre a necessidade de manter coesão diante de desafios estratégicos regionais.
Especialistas destacam que, apesar de as propostas refletirem uma pressão diplomática significativa, a prática de suspender alianças ou condicionar apoio militar exigiria consenso dentro da OTAN e respeitar compromissos mútuos já estabelecidos. O debate, no entanto, expõe como a relação entre Estados Unidos e seus parceiros continua a evoluir diante de novas dinâmicas geopolíticas e de potenciais ameaças na região do Golfo e além.
E você, leitor, qual é a sua leitura sobre o peso dos compromissos da OTAN em tempos de tensão regional? Deixe sua opinião nos comentários e participe da discussão sobre até que ponto alianças estratégicas podem ou devem ser usadas como pressão diplomática em temas como Irã e as Ilhas Malvinas.

