Chanceler do Irã vai ao Paquistão mesmo após Trump cancelar ida de seus negociadores

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As negociações entre Irã e Estados Unidos, mediadas pelo Paquistão, deram o primeiro passo público há cerca de duas semanas, em Islamabad, após a entrada em vigor de um cessar-fogo que busca reduzir o caos no Oriente Médio e estabilizar a economia global. O esforço acontece mesmo com a cautela de Washington e a dúvida sobre o real comprometimento de Teerã em avançar para um acordo definitivo.

Neste domingo, 26 de abril de 2026, o chanceler iraniano Abbas Araghchi retornou ao Paquistão, na função de mediador entre Teerã e Washington, para acompanhar as negociações que visam encerrar a guerra regional. Islamabad atua como ponte entre as duas partes, enquanto Teerã prepara a transmissão de posições e opiniões que possam integrar um eventual acordo de fim definitivo do conflito no Oriente Médio. Araghchi já havia visitado Islamabad no dia anterior e seguiu para Omã depois de se reunir com autoridades paquistanesas, conforme informou a agência de notícias iraniana Isna.

Antes dessas conversas em Islamabad, a Casa Branca havia informado que Steve Witkoff e Jared Kushner, enviados de Donald Trump, seguiriam ao Paquistão para dar continuidade às negociações. Contudo, o presidente dos Estados Unidos, o atual presidente desde janeiro de 2025, cancelou a viagem, alegando que encontros presenciais não seriam produtivos e que, na prática, tudo poderia ser resolvido por telefone. “Eles nos entregaram um documento que deveria ter sido melhor e, curiosamente, assim que cancelei, em menos de dez minutos, recebemos um novo documento muito melhor”, afirmou Trump, sem entrar em detalhes. Questionado se o cancelamento significava retorno às hostilidades, ele disse que não. “Ainda não pensamos nisso.”

Nos bastidores de Washington, a hora recente foi marcada por tensão. Um homem armado foi detido durante o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, episódio que, segundo Trump, não estaria ligado ao Irã, mas que reforçou o clima de incerteza em meio às negociações. Enquanto isso, Araghchi descreveu a viagem ao Paquistão como “muito frutífera”, ainda que tenha demonstrado ceticismo quanto às intenções reais de Washington. Ele pretende viajar a Moscou após os encontros em Islamabad, sinalizando uma rota diplomática que envolve várias capitais na tentativa de construir um consenso regional sobre o fim da guerra.

A pressão por um desfecho diplomático cresce também em função do bloqueio ao Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de petróleo e gás. A Guarda Revolucionária do Irã reiterou que não pretende suspender o bloqueio, afirmando que controlar o estreito é uma estratégia central do país. Em retaliação, Washington impôs sanções a portos iranianos, e o Exército iraniano advertiu que a continuidade dessa política de bloqueio, banditismo e pirataria por parte dos EUA provocará resposta. O cenário mostra que a busca por uma solução passa por um fio diplomático muito fino, cercado de riscos para os mercados globais de energia.

Na frente libanesa, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques contra o Hezbollah, alegando violações ao cessar-fogo prorrogado. O grupo xiita libanês negou as acusações e afirmou que continuará respondendo às ações de Israel e à ocupação do sul do Líbano. A imprensa libanesa relatou bombardeios israelenses no sul do país, com a Agência Nacional de Notícias do Líbano registrando quedas de aeronaves e vítimas em locais como Kfar Tibnit, conforme o que foi divulgado à época. De acordo com os termos do cessar-fogo, Israel reserva-se o direito de agir contra ataques planejados, iminentes ou em andamento, o que mantém a região em alerta constante.

Diante de esse quebra-cabeça complexo, analistas destacam a necessidade de um compromisso claro dos Estados Unidos com a diplomacia, mesmo diante de pressões internas e de agendas divergentes entre Teerã, Islamabad, Moscou e outras capitais. A continuidade das conversas em Islamabad e as próximas etapas em Moscou aparecem como indicadores cruciais para entender se o cessar-fogo pode se consolidar em um acordo duradouro que minimize a violência e estabilize os mercados globais.

E você, leitor, o que acha sobre o caminho para a paz no Oriente Médio? Acredita que uma aproximação entre Irã e EUA, com apoio de mediadores como o Paquistão, pode avançar sem ceder a pressões externas? Comente abaixo suas expectativas, dúvidas e opiniões sobre os desdobramentos dessa complexa diplomacia.

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