O Estreito de Hormuz passa por mais uma mudança: o Irã anunciou a criação de um órgão para administrar a passagem, com poderes para aprovar o trânsito de navios e cobrar tarifas. A decisão, apresentada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional, ocorre em meio ao bloqueio da via e a um cessar-fogo frágil desde 8 de abril, após meses de tensão com os Estados Unidos e Israel.
A definição operacional ainda não foi revelada, mas a imprensa especializada já aponta caminhos. Segundo a Lloyd’s List, o órgão seria responsável por aprovar o trânsito de navios e arrecadar tarifas de passagem. A versão veiculada pela imprensa iraniana, via Press TV, diz que o sistema serve para exercer a soberania sobre o estreito, com a Marinha da Guarda Revolucionária compartilhando a mesma publicação.
O Estreito de Hormuz permanece como rota logística vital: antes da escalada, quase 20% do petróleo e de hidrocarbonetos globais passavam pela passagem. O Irã bloqueou quase todo o tráfego desde 28 de fevereiro, e o cessar-fogo permanece frágil desde 8 de abril. Enquanto isso, os Estados Unidos mantêm seu próprio bloqueio naval em portos iranianos.
Os iranianos afirmam que o tráfego não voltará ao que era antes da guerra. O país também informou ter recebido os primeiros pagamentos de pedágio, sinalizando uma cobrança real pela passagem. Analistas avaliam que a criação do novo órgão pode elevar tensões e alterar rotas comerciais, com impactos para petróleo, fretes e seguros.
À medida que a situação se desenrola, mercados e governos observam de perto os próximos passos do Irã. A implementação do órgão pode redefinir o equilíbrio geopolítico na região do Golfo e influenciar preços de energia em escala global.
