Auditor apontado como líder de esquema no Porto do Rio foi chefe da alfândega sob Bolsonaro

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A Operação Mare Liberum, deflagrada pela Corregedoria da Receita Federal em conjunto com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal nesta terça-feira (28), expõe um esquema de facilitação de contrabando e descaminho no Porto do Rio de Janeiro. A ação afastou 17 auditores-fiscais e revelou uma movimentação de aproximadamente R$ 86,6 bilhões em mercadorias entre julho de 2021 e março de 2026, com dezenas de milhões de reais em propinas envolvidas.

Pedro Antônio Pereira Thiago, apontado como um dos líderes do esquema, era delegado da Alfândega da Receita no Porto do Rio, nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro em dezembro de 2020. Segundo a edição de O Globo, ele foi substituído na gestão do governo Lula, em novembro de 2023, ainda sob investigações. As informações reforçam o papel central de Thiago na suposta rede de irregularidades que operava no porto.

As investigações, iniciadas em 2022 a partir de controles internos da corregedoria e de denúncias, revelaram pressão interna para manter as práticas ilícitas. O material apurado cita Thiago entre os líderes do esquema e descreve uma linha de atuação que envolveu decisões administrativas, contratos e pagamentos ilícitos ligados à movimentação de mercadorias no porto, com um volume financeiro significativo durante o período sob análise.

No começo deste mês, Thiago recebeu aposentadoria voluntária com proventos integrais. A portaria que concedeu o benefício foi publicada no Diário Oficial da União em 8 de abril, gerando questionamentos sobre o desligamento do servidor no meio do andamento das investigações. A repercussão interna aponta para controvérsias sobre o andamento de substituições e o impacto de decisões administrativas em casos de alta complexidade.

A reportagem também traz relatos sobre o contexto político, destacando a percepção de que o tema envolve decisões estratégicas de alta esfera, com menções a familiares da cena pública nas redes sociais. Entre elas, referências a Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro aparecem como parte de discussões internas sobre alinhamentos e influências que cercam o caso, segundo as fontes citadas pelo veículo.

A operação ressalta a importância de mecanismos de controle, transparência e sanção de condutas irregulares em órgãos de fiscalização e na gestão de fronteiras. A ação conjunta entre a Receita Federal, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal reforça o compromisso das autoridades em apurar responsabilidades, coibir desvios e evitar que esquemas ganhem espaço no comércio exterior do país.

Este episódio reacende o debate sobre a necessidade de fortalecimento dos mecanismos de supervisão em portos, unidades aduaneiras e órgãos que atuam na guarda de fronteiras, provocando uma reflexão sobre como aperfeiçoar a integridade pública. A investigação segue em curso, com as instituições envolvidas avaliando etapas futuras para esclarecer de forma definitiva as responsabilidades de cada envolvido.

Agora, queremos ouvir a cidade: como você avalia as medidas de combate à corrupção nas esferas federais e a atuação das forças de fiscalização na inspeção de portos? Compartilhe sua opinião nos comentários e traga suas experiências para enriquecer este debate sobre gestão pública, fiscalização e a integridade do serviço público.

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