Fintech do PCC tentou “aproximação” com Márcio França e João Doria

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Resumo rápido: a Polícia Civil de São Paulo afirma ter detalhes de uma operação que liga a facção PCC a uma fintech chamada 4TBank, usada para facilitar contratos com prefeituras do estado e movimentar verbas vinculadas ao tráfico. Documentos da operação Contaminatio mostram tentativas de aproximação com o ex?governador João Doria e com o ex?governador Mário França em 2021. O ex?vereador Thiago Rocha, de Santo André, foi preso e é apontado como responsável por estruturar um “núcleo político” ligado ao PCC. Além disso, a apuração cita contatos com figuras políticas de várias cidades, sugerindo um desenho de atuação considerado pela Polícia Civil como preocupante e, para muitos, assustador.

A apuração revela o que consta de um “relatório de atividades” encaminhado por Thiago Rocha em março de 2021 a João Gabriel de Melo Yamawaki, apontado como operador financeiro do PCC. Em uma das páginas, o documento descreve uma suposta reunião de aproximação no Palácio dos Bandeirantes, com o nome de Pedro Oliveira, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo de São Paulo, no topo da imagem. Entre os próximos passos, haveria a tentativa de agenda com o governador do Estado ou com a secretária Patrícia Ellen e a diretoria da 4TBank.

Outra foto do conjunto de slides menciona a aproximação política com o PSB Estadual, com a indicação de Matheus Tonella, descrito como articulador político e assessor do gabinete do prefeito de Campinas na época. O relatório ainda aponta uma linha que diz: “Articular conversas com o PSB Estadual / ex-governador Mário França”, acompanhada de nomes de outros agentes públicos da região.

Entre as figuras citadas em “contatos realizados fora do plano de ação inicial” aparecem um assessor do deputado estadual do Podemos Márcio da Farmácia, um secretário municipal de Santo André, a então secretária de Agricultura de São Paulo Juliana Cardoso e o deputado estadual Daniel José, do Novo. Os documentos indicam que o conjunto de ações pretendia ampliar a rede de apoio político para facilitar as operações da fintech associada ao PCC.

O que a Polícia Civil descreve como plano de ação reforça a impressão de que o conteúdo era “assustador”. A investigação sustenta que Thiago Rocha dedicava grande parte de seu tempo a contatos com interlocutores políticos de diversas cidades, muitas vezes desviando-se de sua função institucional. Ainda segundo os investigadores, João Gabriel de Melo Yamawaki não apenas integra a OrCrim PCC, como também utilizaria a fintech para movimentar recursos possivelmente ligados ao tráfico e a outras atividades ilícitas.

A investigação também aponta que moradores da cidade e gestores da região foram citados como contatos fora do plano original, o que, segundo a polícia, evidencia uma extensão da rede de atuação associada ao PCC. Os investigadores destacam a necessidade de acompanhar de perto o desenrolar dos fatos, já que a matéria envolve verbas públicas, atores políticos e atividades ilegais associadas ao tráfico de drogas.

Doria, na época citado como possível interlocutor, afirmou que não conhece os membros da suposta organização criminosa e que nunca conversou ou se reuniu com eles. França, por sua vez, afirmou estar afastado da política e também negou qualquer encontro. A conjuntura envolve ainda o ex?vereador Thiago Rocha, que foi preso, e a Polícia Civil descreve a atuação como uma tentativa de estruturar apoio político para favorecer candidaturas municipais passadas, com móveis que vão além do tradicional debate político.

O caso, que envolve uma rede de contatos políticos de cidades vizinhas, demonstra como agentes da lei tratam a ligação entre financiadores de campanha, entidades privadas e organizações criminosas. A investigação continua em andamento, com novas informações sendo cruzadas entre documentos, mensagens e depoimentos de pessoas ligadas ao inquérito.

Palavras?chave: PCC, 4TBank, Contaminatio, São Paulo, Santo André, João Doria, Mário França, Thiago Rocha, Petrólia, Gleba, Palácio dos Bandeirantes, PSB Estadual, Campinas, Patrícia Ellen, Yamawaki, Pedro Oliveira, Marcio da Farmácia, Juliana Cardoso, Daniel José.

Convido você, leitor, a compartilhar suas opiniões sobre o tema. O que acha das ligações entre organizações criminosas, fintechs e a política local? Deixe seu comentário com suas perspectivas e perguntas sobre o caso.

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