Meta descrição: Brasil sobe para a 52ª posição no ranking mundial de liberdade de imprensa da RSF, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez (64ª). O avanço brasileiro em 2025 e 2026 é apresentado como exceção em um cenário global de deterioração da situação, com ações institucionais fortalecidas e proteção ao trabalho jornalístico.
O Brasil alcançou a 52ª posição no ranking mundial de liberdade de imprensa elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras (RSF), ultrapassando pela primeira vez os Estados Unidos, que aparecem na 64ª colocação. O relatório divulgado na última quinta-feira aponta que o país avançou 58 posições desde 2022 e cresceu 11 posições em relação a 2025, indicador que o coloca como uma exceção no panorama global de imprensa sob pressão.
Segundo Artur Romeu, diretor da RSF para a América Latina, o avanço brasileiro é significativo em meio a um cenário de deterioração da liberdade de expressão em várias regiões. Ele ressalta que o Brasil tem mostrado uma evolução após tensões vividas durante o governo anterior, com ataques diários a jornalistas. O que ajuda, segundo o especialista, é a volta a um ambiente institucional mais estável entre governo e imprensa.
Entre os fatores citados pela RSF para a melhoria brasileira estão a inexistência de assassinatos de jornalistas no país desde a morte de Dom Philips, em 2022, na Amazônia, e o fortalecimento de medidas de proteção ao trabalho jornalístico. Também destacam a criação de um Observatório Nacional de Violência contra Jornalistas e a adoção de um protocolo de investigação de crimes contra a imprensa. Mesmo assim, Romeu pontua que o progresso brasileiro ocorre em meio à deterioração em outros países.
Os Estados Unidos aparecem como um parâmetro negativo no ranking. A RSF aponta que, em várias frentes, o governo tem usado uma retórica hostil e restrições jurídicas ou administrativas que afetam a transparência e o acesso à informação pública. Além disso, há relatos de interferência política em meios de comunicação, cortes orçamentários em emissoras públicas e investigações com motivação política contra jornalistas.
A avaliação também lembra que, nos 25 anos de ranking, a média de pontuação de liberdades de imprensa global atingiu o piso mais baixo já registrado. Nos Estados Unidos, a queda de posição é associada, segundo o relatório, a uma transformação na forma de enfrentar a imprensa, com ataques que se tornaram, para alguns, parte de uma estratégia política. A RSF cita ainda que esse cenário de pressão se observa também em países vizinhos, como a Argentina, onde a prática de hostilidade institucionalizada tem ganhado espaço.
O relatório destaca que, no Brasil, o crescimento é visto como um ponto fora da curva e que resulta da combinação entre medidas institucionais fortalecidas e uma mudança de comportamento entre governo e imprensa. Artur Romeu ressalta que o Brasil está voltando a um ambiente democrático em que há maior institucionalidade no tratamento de pautas jornalísticas, o que, segundo ele, contribui para a proteção do trabalho jornalístico e para a confiança da população na imprensa.
Para além das cifras, o documento enfatiza a importância de manter investimentos em proteção aos profissionais de imprensa, investir em transparência e fortalecer instrumentos legais que assegurem o direito à informação. O relatório também analisa o papel de governos na comunicação com a sociedade, destacando a necessidade de equilíbrio entre segurança institucional e a fiscalização independente da imprensa, bem como a relevância de que os mecanismos de investigação permaneçam isentos para evitar abusos.
A repercussão regional é marcada pela percepção de que avanços no Brasil podem servir de referência para outras nações da região, que enfrentam desafios semelhantes. Enquanto o Brasil registra ganhos, a RSF observa que a posição de países-chave no continente depende de decisões políticas, de ações protetivas aos jornalistas e de uma cultura de acesso à informação cada vez mais robusta. O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é citado no contexto de uma ascensão de visões que podem influenciar políticas de liberdade de expressão em diferentes países, reforçando a necessidade de defesa de imprensa livre e independente.
A conclusão do relatório enfatiza que a liberdade de imprensa é um indicador sensível da qualidade de uma democracia. O Brasil é apresentado como exemplo de que é possível melhorar mesmo em cenários de tensão, desde que haja protagonismo institucional claro, proteção aos jornalistas e compromisso com a transparência. Diante disso, cabe à cidade e aos moradores refletirem sobre o papel da imprensa na vida pública e na defesa de direitos. Que leitura você faz sobre esse avanço brasileiro e sobre as tendências na liberdade de expressão em sua região?

