Cristãos enfrentam discriminação sistêmica no Egito, revela relatório

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Um novo relatório da USCIRF acende preocupações sobre a liberdade religiosa no Egito, apontando discriminação sistêmica contra cristãos e outras minorias, mesmo com sinais limitados de progresso. O documento destaca que, apesar de avanços pontuais, o país não conseguiu assegurar plenamente as obrigações de liberdade de religião e crença sob o direito internacional.

O relatório afirma que o governo egípcio continua a aplicar leis, políticas e decisões judiciais que restringem a vida religiosa de não muçulmanos, incluindo bahá’ís, cristãos coptas, testemunhas de Jeová, judeus, coranistas, adeptos da fé Ahmadi e pessoas não crentes. Em meio a essas preocupações, o governo também promove iniciativas que promovem certa diversidade, o que é visto como progresso limitado, sem, porém, garantir conformidade total com as obrigações internacionais de liberdade religiosa.

Entre os casos citados, está o de Said Abdelrazek, cristão convertido que, em julho de 2025, foi acusado de “desprezo pelo Islã” após compartilhar conteúdo online. Durante a prisão preventiva, ele teria sido vítima de agressões por agentes da Segurança Nacional e teve acesso negado a materiais de culto e a uma Bíblia, segundo o relatório.

No que diz respeito a locais de culto, a USCIRF aponta uma assimetria nas aprovações: mais de 2.000 pedidos para a construção de igrejas e instalações cristãs aguardam decisão, enquanto as licenças para mesquitas costumam caminhar com mais rapidez. O documento cita que, no último ano, aproximadamente 926 mesquitas foram construídas ou mantidas.

As tensões, por vezes, escalam para violência. Em fevereiro, confrontos entre forças de segurança egípcias e cristãos coptas da diocese de Helwan ocorreram durante tentativas de demolição de uma cerca ao redor de um terreno destinado a uma nova igreja e a um espaço de culto local. A demolição foi justificada pela ausência de licenças, argumento contestado pelos moradores, que alegaram ter investido tempo, dinheiro e recursos no local. A repressão incluiu uso de gás lacrimogêneo, detenção de moradores e destruição de estruturas físicas no espaço.

O relatório também trata de desaparecimentos e violações de direitos de mulheres cristãs coptas, além de preocupações com o tratamento dado aos não?crentes. Ao longo de julho de 2025 até janeiro deste ano, pelo menos 29 pessoas foram presas relacionadas a atividades em redes sociais críticas às religiões majoritárias, com apreensão de laptops e celulares sem mandado. Até fevereiro, apenas cinco foram libertadas; 23 permanecem em prisão preventiva e uma morreu sob custódia. Os não crentes enfrentam acusações de pertencer a um grupo que viola a constituição e a lei, com pena de até cinco anos de prisão se condenados.

Apesar das dúvidas, o relatório aponta sinais de progresso. O avanço mais notável foi a instituição de uma licença religiosa remunerada na Páscoa para cristãos que trabalham no setor privado, permitindo que participem das celebrações sem comprometer compromissos profissionais, acadêmicos ou cívicos. A USCIRF também recomenda ao Departamento de Estado dos EUA incluir o Egito na Lista de Vigilância Especial, reservada a países que cometem ou toleram violações graves da liberdade religiosa, sem enquadrá?los na lista de países de preocupação especial.

O conjunto de informações reforça a necessidade de acompanhamento internacional contínuo, especialmente para as comunidades religiosas da cidade e de moradores que vivem na região, que aguardam garantias reais de proteção, igualdade ante a lei e liberdade para professar e praticar a própria fé sem intimidação ou discriminação. Como isso pode evoluir nos próximos meses é uma pergunta que fica no ar, enquanto autoridades e defensores de direitos humanos analisam próximos passos. Queremos ouvir a sua opinião: você acha que o Egito pode avançar de forma consistente na proteção de minorias religiosas? Deixe seu comentário abaixo com suas perspectivas sobre o tema.

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