Resumo de abril: Brasil encerra o mês com superávit de US$ 20 milhões nas trocas com os EUA, enquanto as exportações para a China sobem mais de 32%. O quadro mostra queda nas vendas aos EUA, alta para a China e efeitos persistentes de tarifas americanas sobre determinados itens.
As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 3,121 bilhões em abril, ante US$ 3,517 bilhões em igual mês de 2025. Já as importações de produtos norte-americanos recuaram 18,1%, passando de US$ 3,780 bilhões para US$ 3,097 bilhões, segundo a Secretaria de Comércio Exterior. Com isso, a balança entre Brasil e EUA fechou o mês com um superávit de US$ 20 milhões para o lado brasileiro.
Tarifas pesam sobre o comércio Esta foi a nona queda consecutiva das exportações brasileiras para o mercado norte-americano desde a imposição, em meados de 2025, da sobretaxa de 50% anunciada pelo governo dos EUA. Embora parte da lista tenha sido ampliada, a estimativa do Ministério ainda aponta que cerca de 22% das exportações continuam sujeitas a tarifas, com itens atendidos por até 40% adicionais, somadas à taxa-base de 10%.
Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, os números sinalizam uma recuperação gradual do fluxo comercial, ainda que haja retração pontual. Ele afirma que, apesar da pressão tarifária, o Brasil vem mantendo dinamismo em certos setores e supera, neste ano, a marca de US$ 3 bilhões em exportações para o exterior após meses abaixo desse patamar.
Avanço da China contrasta com o recuo americano Do lado oposto, as exportações brasileiras para a China cresceram 32,5% em abril, totalizando US$ 11,610 bilhões, ante US$ 8,763 bilhões no mesmo mês de 2025. As importações da China também avançaram 20,7%, para US$ 6,054 bilhões. O resultado levou o Brasil a um superávit de US$ 5,56 bilhões com a China no mês. De janeiro a abril, as exportações para a China somaram US$ 35,61 bilhões, as importações US$ 23,96 bilhões, consolidando um superávit de US$ 11,65 bilhões no período.
No setor de petróleo bruto, as exportações recuaram em abril, refletindo volatilidade de preços e do mercado internacional, além de debates sobre o imposto de exportação usado para financiar cortes no preço do diesel. Brandão aponta que, ainda assim, o Brasil mantém competitividade no segmento devido ao baixo custo de produção e à demanda externa, o que pode sustentar uma recuperação das vendas já em maio. Em termos de volume, as exportações de petróleo bruto subiram frente a abril do ano anterior, mas caíram 10,6% no mês, enquanto o preço médio subiu 23,7% pela conjuntura internacional, impulsionada pela guerra no Oriente Médio.
Os números de abril evidenciam uma recuperação gradual no fluxo de comércio com o mundo, com China ganhando relevância frente aos EUA, onde as tarifas seguem a atrapalhar parte das exportações. O cenário aponta para um primeiro semestre de ajustes, com atenções voltadas à evolução das tarifas e às variações de preços globais.
E você, qual é o seu diagnóstico sobre a trajetória das trocas comerciais do Brasil com EUA e China? Compartilhe sua leitura nos comentários e conte como esses movimentos afetam setores da sua cidade e região.
