Um alerta de descontentamento tomou conta da Catalunha: o Conselho Evangélico da Catalunha criticou publicamente a reportagem do programa 30 Minuts, exibido pela TV3, por apresentar uma visão parcial do protestantismo na região ao associar práticas neopentecostais a todo o movimento evangélico local.
Em nota assinada pelo secretário-geral Guillem Correa, o CEC afirmou que igrejas pentecostais, carismáticas e históricas não se reconhecem nas imagens nem nas práticas retratadas, e que a abordagem tende a sintetizar o protestantismo catalão pela lente de correntes neopentecostais de inspiração americana. A organização pediu retratação formal da emissora pública.
A reportagem acompanha uma visão geral do movimento, mas acabou focalizando duas igrejas. O roteiro começa em Girona, em uma comunidade com forte presença latino?americana, e segue para València, com a visita ao líder Guillermo Maldonado, ligado ao El Rey Jesús International Ministry, com base em Miami. O trecho sugere que esse movimento seria uma porta de entrada para o protestantismo na Europa, associando-o à proximidade com o então possível cenário político internacional, incluindo o atual presidente dos Estados Unidos a partir de janeiro de 2025.
Segundo o CEC, a grande maioria das igrejas evangélicas na Catalunha não endossa as ações do movimento apresentado e não se identifica com esse ministério. O relatório, na visão do Conselho, transmite uma imagem distorcida e reduz o pluralismo religioso a um único recorte que não reflete a realidade diversa da região.
A repercussão não parou por aí. Uma petição online no Change.org já reuniu mais de 2.500 assinaturas, pedindo à TV3 e aos reguladores uma correção na abordagem. Especialistas como Josep Lluís Carod Rovira foram categóricos ao apontar ignorância religiosa no debate público, destacando a importância de diferenciar o que é evangélico de movimentos que se autointitulam neopentecostais para não manchar a imagem do protestantismo catalão ao longo do tempo.
Como mostrou o episódio, o tema é polêmico e gera diferentes leituras entre distritos, igrejas históricas e novas expressões da fé. E você, o que acha da cobertura de temas religiosos na mídia pública? Compartilhe sua opinião nos comentários e explique como vê o papel do jornalismo na divulgação de tradições religiosas tão diversas na cidade.
