Päivi Räsänen, deputada finlandesa e ex-ministra do Interior, anunciou nesta quinta-feira que vai recorrer ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos (TEDH). O movimento chega após o Supremo Tribunal da Finlândia, em 26 de março, reverter duas absolvições anteriores e condenar a parlamentar por expressar opiniões bíblicas sobre casamento e ética sexual em um panfleto de 2004 publicado pela igreja local.
A decisão, tomada por 3 votos a 2, manteve a condenação de Räsänen por suposto discurso de ódio, ao considerar que o panfleto continha declarações potencialmente insultuosas a gays enquanto grupo. O caso envolve também o bispo Juhana Pohjola, da Diocese Evangélica Luterana da Finlândia, condenado pela publicação do mesmo panfleto de 2004. As sanções financeiras incluíram 1.800 euros para Räsänen, valor equivalente a cerca de 20 dias de salário, além de custas judiciais; Pohjola teve multa similar, e a Fundação Lutherana Finlandesa foi condenada a pagar 5.000 euros.
Räsänen argumenta que buscar a proteção da TEDH é essencial para defender a liberdade de expressão e a liberdade religiosa na Finlândia e na Europa. Ela enfatiza que rotular opiniões como crimes restringe direitos básicos, observando que nove dos doze juízes em três instâncias não viram crime no panfleto.
A deputada ressaltou que o panfleto intitulado Homem e Mulher os Criou, embora polêmico, não incitava violência nem ameaçava grupos, mesmo que o Supremo tenha considerado o texto insultuoso para os homossexuais como grupo. Ela também mencionou um tweet dirigido à liderança da igreja que citava Romanos 1 para criticar o apoio a um evento do Pride, conforme a decisão judicial.
Médica e avó de 12 netos, Räsänen afirmou que seus escritos não nasceram do ódio, mas da compaixão e do objetivo de levar as igrejas locais à abertura e ao amor ao próximo. Ela agradeceu à equipe jurídica e à ADF International e disse que continuará a luta com tranquilidade e confiança.
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