Cidade Limpa: região da “Times Square de SP” é uma das mais multadas

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No cruzamento entre as avenidas São João e Ipiranga, no centro de São Paulo, o projeto Times Square paulistana divide opiniões. Enquanto a prefeitura busca a revitalização da região central com grandes painéis de LED, dados oficiais mostram que a Subprefeitura Sé respondeu com multas significativas da Lei Cidade Limpa, somando mais de R$ 1,3 milhão nos últimos 12 meses — o terceiro maior total entre as 32 subprefeituras.

72 autuações foram registradas na Sé, conforme dados da prefeitura, obtidos pela LAI. Dessas, 41 terminaram em multa e 31 apenas em notificações. Com isso, a região ocupa a 5ª posição no ranking das subprefeituras com mais penalidades aplicadas na capital.

As infrações mais comuns envolvem anúncios sem licença, publicidade irregular e banners em vias públicas. Um grupo de quatro autuações por anúncios em empenas cegas somou cerca de R$ 671 mil, revelando o peso financeiro das irregularidades na área.

Criada em 2006, a Lei Cidade Limpa busca reduzir a poluição visual em São Paulo, com fiscalização das subprefeituras que pode emitir notificações e multas para manter a cidade mais legível. A Sé também registra a concentração de comércio no centro, fator que influencia o número de autuações e o volume de irregularidades.

Sobre o Times Square paulistana, o projeto, oficialmente batizado de Boulevard São João, prevê grandes painéis de LED e projeções digitais no cruzamento central. A proposta objetiva exibir conteúdos culturais, informativos e serviços públicos, sem publicidade comercial. A prefeitura afirma que não se trata de uma exceção à Lei Cidade Limpa; a iniciativa foi viabilizada por meio de um Termo de Cooperação com o setor privado, sem custos ao município, e não há estudos para alterar a lei.

A arquiteta Perola Felipette vê o projeto como uma exceção dentro do arcabouço legal e alerta para o impacto na paisagem urbana e na circulação de pessoas. Ela afirma que telas muito luminosas podem transformar a percepção do espaço e alterar a dinâmica do entorno.

A prefeitura reforça que a proposta não viola a lei e que a ideia foca em conteúdos culturais, não comerciais. As 32 subprefeituras continuam monitorando o cumprimento das normas, e os números da Sé refletem tanto a fiscalização quanto a grande concentração de comércio no centro.

O governador Tarcísio de Freitas divulgou um vídeo defendendo a Times Square paulistana, dizendo que o projeto pode unir tecnologia, cultura e revitalização. O material, produzido com IA, mostra uma visão ampliada do que poderia ocorrer, com a mensagem de que a área pode ganhar novas experiências para moradores e visitantes.

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