Desembargadora afastada há 2 anos recebeu R$ 1,3 milhão de salários na Bahia

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Resumo: a desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago, do Tribunal de Justiça da Bahia, está no centro da Operação Faroeste. A investigação aponta suspeita de venda de sentenças ligada à grilagem de terras e mostra que ela recebeu cerca de R$ 1,3 milhão em salários desde o afastamento, com pagamentos mensais expressivos e indícios de propina envolvendo figuras e atividades em Salvador.

Maria do Socorro, que já está no banco dos réus após deliberações do Superior Tribunal de Justiça, é alvo de apurações da Polícia Federal sob a tutela do STJ. Segundo a PGR, a magistrada estaria envolvida em um esquema de pagamentos ilícitos que teriam como operador Adailton Maturino, identificado como falso cônsul da Guinée-Bissau, e sua mulher, a advogada Geciane Maturino. A denúncia aponta que propinas teriam sido camufladas por meio de cheques, depósitos em dinheiro e até jantares pagos a empresários e servidos em Salvador.

Dados apresentados pela defesa e pela Procuradoria revelam que, ao longo de 24 meses de afastamento, a média mensal de remuneração da desembargadora ficou em torno de R$ 54,3 mil. Em abril deste ano, ela chegou ao maior contracheque desde o afastamento, recebendo R$ 104 mil líquidos. No acumulado de 2026, os pagamentos já somam R$ 267 mil, enquanto em 2025 o total foi de R$ 664 mil.

A acusação detalha que Adailton Maturino mantinha um acordo com um restaurante japonês em Salvador para que desembargadores e juízes frequentassem o local, com as despesas lançadas na conta da empresa dele. A PF afirma que a empresa chegou a gastar cerca de R$ 1,5 milhão com essas visitas. Entre os itens citados, há o relógio Rolex de aproximadamente R$ 120 mil, apontado como presente a Maria do Socorro, encontrado em posse da magistrada durante diligências.

O relato da Procuradoria também sustenta que a magistrada simulou empréstimos com familiares, no valor total de R$ 480 mil, para encobrir pagamentos de propina. Parte do dinheiro, conforme a denúncia, teria sido destinada à compra de uma casa, com pagamento em dinheiro feito pelo genro da desembargadora. Em defesa, os advogados afirmam que não houve comprovação de prática criminosa e que a defesa confia na condução técnica e imparcial do processo pelo Judiciário, assegurando a inocência da magistrada.

Contexto: a Faroeste é uma das maiores operações de combate à corrupção no Judiciário brasileiro, deflagrada em 2019 para investigar esquema de venda de sentenças ligado à grilagem de terras no oeste baiano. A fase inicial resultou no afastamento de seis magistrados, entre desembargadores e juízes, revelando uma rede que envolve magistracia, advogados, empresários e lobistas na região.

Palavras-chave: Operação Faroeste, Maria do Socorro Barreto Santiago, TJ-BA, propina, Adailton Maturino, Salvador, grilagem de terras.

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