Belo Horizonte recebe a nova montagem da exposição Tudo que não explode range, do artista Élcio Miazaki. A mostra, que havia sido suspensa em Ouro Preto por alegações de conteúdo impróprio, chega à cidade e abre nesta quarta-feira, 20 de maio, às 19h, no Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, instalado no antigo prédio do DOI-Codi. A abertura terá a presença do artista e uma mesa de debate, além de visitas mediadas mediante agendamento prévio. Palavras-chave: Élcio Miazaki, Tudo que não explode range, Belo Horizonte, Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, censura, ditadura militar.
A origem da exposição remete ao projeto Habeas Corpus, previsto para março na Galeria de Arte Nello Nuno, em Ouro Preto. A Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais suspendeu a abertura, alegando conteúdos inadequados para a classificação indicativa de 14 anos, citando nudez e outros elementos. A decisão gerou críticas de artistas e coletivos pela liberdade de expressão. Com a mudança de comando na Secult, houve reavaliação, mas a mostra foi transferida para Belo Horizonte sem participação pública.
Na nova montagem, o projeto passou por reformulações e houve a saída de um dos curadores originalmente ligados à mostra, o que levou à mudança de título e à inclusão de novos trabalhos. Miazaki afirma ter mantido integralmente as obras já previstas e acrescentado peças inéditas. Mantém-se a classificação indicativa de 14 anos, com o artista ressaltando que subir a idade não seria justo, pois limitaria o acesso de jovens à pesquisa. Está dentro do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), afirma.
A exposição Tudo que não explode range será aberta ao público nesta quarta-feira, às 19h, no Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, em Belo Horizonte. O conjunto de fotografias, instalações e videoperformances reúne uma pesquisa documental sobre a ditadura militar brasileira, discutindo temas como violência de Estado, perseguição política, censura, masculinidades, resistência e os impactos do autoritarismo no passado e no presente. A mostra preserva o foco histórico e ganha uma nova leitura ao ser instalada em um espaço historicamente ligado à repressão, conectando memória e presente da região.

