Defesa cita histórico psiquiátrico de chileno preso por racismo: ‘Arrependido’

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O chileno Germán Andrés Naranjo Maldini foi preso no aeroporto de Guarulhos ao retornar de Frankfurt, após protagonizar ataques racistas e homofóbicos contra uma comissária de bordo da Latam durante o voo LA8070, que partiu de São Paulo com destino à Alemanha no dia 10 de maio. A Polícia Federal enquadrou o caso como injúria racial e agressões homofóbicas, enquadradas na legislação vigente.

As imagens divulgadas mostram Germán discutindo com os tripulantes e proferindo insultos graves. Ele chamou a vítima de macaco, fez sons imitando o animal e disse que ser gay era “um problema para ele”. Em uma resposta, o comissário questionou se também era problema ele ser negro, e o chileno afirmou: “É um problema para mim ser gay”, repetindo as ofensas enquanto duas comissárias pediam que retornasse ao assento, sob ameaça de remoção.

A defesa sustenta que Germán recebe tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos e afirma que as palavras refletiram um estado alterado da mente, não suas convicções. O advogado Carlos Kauffmann afirmou que o cliente está arrependido, extremamente triste e envergonhado, e pediu à Justiça Federal a apresentação de dados sobre o tratamento médico, mesmo com o regime de prisão. Em depoimento, Germán disse que “ama sem diferenças” e descreveu o episódio como causado pelo consumo excessivo de bebida, solicitando oportunidade de se desculpar pessoalmente com a vítima.

Segundo a Polícia Federal, a prisão preventiva ocorreu após a comunicação formal das vítimas e a conclusão de que houve injúria racial e ataques homofóbicos contra tripulantes. A Latam Airlines repudiou veementemente qualquer discriminação e afirmou colaborar com as autoridades, além de prestar acolhimento psicológico e apoio jurídico ao funcionário que sofreu a violência verbal.

A legislação brasileira, sancionada em janeiro de 2023, equiparou injúria racial ao racismo, com pena prevista de 2 a 5 anos de prisão. O caso, além de denunciar atitudes preconceituosas, ressalta o rigor com que o país trata crimes de discriminação no ambiente de trabalho e em viagens, especialmente quando envolvem raça e orientação sexual.

O episódio ganhou ampla repercussão, com trechos do vídeo circulando nas redes e gerando debates sobre o enfrentamento de preconceitos. A Justiça e as instituições envolvidas prometem manter o andamento do processo com todo o rigor exigido pela lei, reforçando que discriminação não tem espaço em voos nem em qualquer espaço público.

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