Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, alertou ao Senado que a instituição corre o risco de ficar “asfixiada” se não entrar em jogo político, destacando a importância da independência diante de pressões externas durante o debate sobre a PEC da autonomia.
Durante audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, Galípolo disse que o BC precisa resistir a pressões externas e a vieses políticos, citando o caso do Banco Master. A PEC em pauta transforma o BC em uma empresa pública de natureza especial, com independência administrativa, financeira e orçamentária, além da autonomia operacional já assegurada por lei desde 2021. O presidente reiterou apoio à autonomia institucional em meio à discussão.
O dirigente ressaltou que o BC não deve negociar seu mandato. “O meu receio é que o fato de o Banco Central não negociar o seu mandato o faça ser asfixiado, porque não entra em jogo político. Ou, quiçá, um dia, possa ser presidido por alguém que topa”, afirmou, durante a sessão na CCJ sobre a PEC da autonomia.
Mais cedo, Galípolo havia indicado defasagem orçamentária capaz de comprometer a fiscalização do sistema financeiro. Com recursos restritos, o BC terá de fazer gestão de risco e priorizar o que cobre. “Não há pessoal para tudo”, afirmou, sinalizando que a autarquia precisará escolher entre cobrir certos riscos e deixar outros sem supervisão.






