Uma onda de protestos se intensifica na Bolívia, com La Paz no epicentro desde o início de maio, quando bloqueios de estradas geraram escassez de alimentos, remédios e combustível. O presidente Rodrigo Paz, de centro-direita, disse que não negociará com os chamados “vândalos” e indicou a futura nomeação de ministros com capacidade de ouvir as demandas da população, na tentativa de acalmar os ânimos. Enquanto isso, Evo Morales — foragido por um caso de suposta exploração de uma menor e refugiado desde 2024 na região do Chapare — acusa Washington de planejar, segundo ele, um golpe para retomar o poder.
As raízes da crise passam pela política econômica adotada por Paz. Logo que chegou ao poder, ele eliminou subsídios aos combustíveis, o que fez o preço subir. Além disso, postos passaram a vender combustível de qualidade duvidosa, danificando milhares de veículos e provocando a ira de transportadores, que mobilizam a população sob o rótulo de “gasolina lixo”. Outra medida transformava pequenas propriedades rurais em médias para facilitar crédito, porém camponeses indígenas temem que a ampliação acabe nas mãos de bancos e latifundiários.
No centro das reivindicações, a Central Operária Boliviana (COB) exige aumento salarial de 20%. Professores lutam por aposentadoria com salário integral, e outros setores pedem a renúncia do presidente. Com a crise se prolongando, cresce o clamor por soluções rápidas, enquanto o governo acusa grupos de tentar alterar a “ordem democrática” do país.
Especialistas convergem para entender a crise como a mais grave desde que Paz assumiu o poder, há seis meses, em meio a inflação alta e a economia próxima do pior momento em quatro décadas. O governo diz buscar estabilidade por meio de ministros com “capacidade de escuta”, enquanto trabalhadores e moradores exigem respostas práticas que devolvam equilíbrio econômico e social à região.
