Força-tarefa da da Polícia Civil desmonta esquema tributário de combustíveis responsável por prejuízo de R$ 400 milhões aos cofres públicos

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Uma operação conjunta da Polícia Civil da Bahia, do Ministério Público estadual e da Secretaria da Fazenda (Sefaz-BA) desmantelou um esquema sistêmico de corrupção e crimes tributários no setor de combustíveis. Batizada de Khalas, a ação prendeu três envolvidos, entre eles um auditor fiscal da Fazenda, e aponta prejuízos aos cofres públicos estimados em cerca de 400 milhões de reais. A investigação indica propina a servidores para obtenção de proteção e facilidades ilegais, com desvio de recursos e fraude fiscal.

A apuração, comandada pelo Ministério Público, mostra que o caso teve desdobramentos a partir de uma etapa anterior, a Operação Primus, que já havia apontado irregularidades. O inquérito avançou para responsabilidades por crimes contra a ordem econômica, lavagem de dinheiro e organização criminosa, revelando um esquema ainda maior com sonegação fiscal e a participação de servidores públicos e empresas ligadas a uma rede de favorecimentos.

Segundo o delegado Fábio Lordello, do Departamento de Repressão ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco), a organização operava como uma estrutura empresarial. Havia aquisição de químicos para adulteração, logística de mistura e distribuição de combustível irregular. A prática envolvia misturar regular com solventes, nafta e outros químicos, aumentando artificialmente o volume vendido e dificultando a fiscalização, sem recolhimento tributário correspondente.

Entre 2023 e o fim de 2025, as apurações indicam que cerca de 111 milhões de litros de combustíveis foram desviados para unidades clandestinas de mistura e adulteração, que posteriormente distribuíram o produto adulterado no mercado da região. O volume reforça a estimativa de prejuízo fiscal e a gravidade do esquema.

A Khalas cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nas cidades de Salvador, Feira de Santana e Camaçari, além de Candeias, e resultou no afastamento de dois servidores públicos. Também houve a prisão de um auditor fiscal e de outras duas pessoas na manhã desta quinta-feira (21).

O promotor Cláudio Jenner destacou que as investigações revelam um modelo de negócio que explorava brechas legais para obter lucro ilícito por meio da adulteração de combustíveis. O superintendente de Administração Tributária, José Luiz Souza, afirmou que o aprofundamento das diligências abriu caminho para desmantelar o esquema e responsabilizar os envolvidos.

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