A saída para a crise política e econômica na Bolívia pode passar por eleições rápidas: o ex-presidente Evo Morales pediu, neste domingo, que o governo convoque novas eleições em até 90 dias. Ele responsabiliza o governo de Rodrigo Paz, que está no poder há seis meses, pelos protestos crescentes que já afetam La Paz e outras regiões, em meio a uma economia fragilizada pela escassez de dólares e inflação de 14% em abril.
Durante seu programa de rádio na emissora cocaleira Kawsachun Coca, Morales afirmou que Paz tem dois caminhos: “uma decisão suicida, a militarização, ou uma transição pacífica com eleições em 90 dias”. Segundo o ex-presidente, apenas uma saída estável pode evitar mortes e feridos e devolver o controle democrático ao país.
Os protestos se intensificam à medida que caminhões bloqueiam estradas que levam a La Paz, provocando desabastecimento de alimentos, remédios e combustíveis. A inflação segue pressionando o custo de vida na região, agravando o sofrimento dos moradores diante da crise econômica.
O governo boliviano denunciou as manifestações à Organização dos Estados Americanos (OEA), alegando que elas visam desestabilizar a ordem democrática. Morales, hoje foragido e procurado por suposto tráfico de uma menor, foi líder do país entre 2006 e 2019 e ficou impedido de disputar as eleições no ano anterior por decisões constitucionais.
A crise permanece sem uma solução clara, com a população demandando respostas rápidas que protejam empregos, serviços públicos e a estabilidade regional. A proposta de Morales, de transição com eleições em 90 dias, coloca o foco na necessidade de uma saída institucional que acalme as ruas e, ao mesmo tempo, estabilize a economia boliviana.
