Um sobrevoo de duas aeronaves militares dos EUA sobre Caracas, na Venezuela, chamou a atenção da cidade neste sábado. O pouso ocorreu durante uma evacuação simulada na área da embaixada americana, descrita pela própria embaixada como parte de um treino de resposta rápida. Caminhões de bombeiros e viaturas da polícia já tinham chegado antes para apoiar a operação.
Moradores registraram o momento com celulares enquanto as MV-22B Osprey se aproximavam da sede diplomática por volta das 10h30 locais. As aeronaves levantaram poeira e folhas ao aterrissarem no estacionamento da embaixada, onde o som das hélices ecoou pela região.
Para muitos, o episódio foi inédito. Augusto Pérez, engenheiro de 70 anos, disse que é a primeira vez, em 56 anos, que presencia algo assim: “Quero ver como eles pousam”. Franco Di Prada, morador da área, também expressou curiosidade e dúvida. Do outro lado da cidade, um grupo chavista protestou com a faixa “Não à simulação ianque”.
A embaixada afirmou, em suas redes sociais, que o exercício é um “treinamento de resposta militar” para assegurar a capacidade de reação rápida das forças armadas, não apenas na Venezuela, mas em nível global. A cidade autorizou o simulacro após semanas de tensão, com as relações entre Caracas e Washington já se restabelecendo em março. O governo venezuelano, liderado pela presidente interina Delcy Rodríguez, tem promovido reformas para atrair investimentos em hidrocarbonetos e mineração.
Historicamente, a presença militar norte-americana na Venezuela era rara antes do início de janeiro, quando ataques aéreos ligados à captura de Nicolás Maduro em uma operação em Washington geraram dezenas de mortes, incluindo cubanos. O país havia rompido laços por muitos anos, especialmente após Hugo Chávez, entre 1999 e 2013, que encerrou cooperação militar com os EUA e alinhou-se a Rússia, Cuba e Irã. Hoje, as relações têm passado por ajustes, com foco em segurança regional e investimentos, em meio a tensões persistentes entre as duas nações.
