Ladrão de livros raros diz que recebeu mentoria do PCC na prisão. Ouça

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Laéssio Rodrigues de Oliveira Silva, 53, é considerado o maior ladrão de livros raros do Brasil e está preso no Rio de Janeiro. A investigação, ligada à Operação Marchand deflagrada na sexta-feira 22/5, apura o roubo de 13 obras da Biblioteca Mário de Andrade em dezembro de 2025, avaliado em cerca de R$ 1,325 milhão. A Justiça decretou a prisão temporária dele e de outras pessoas associadas a uma rede criminosa que atuava em várias frentes pelo país.

Um áudio interceptado pela Polícia Civil revela que, durante a primeira passagem pela cadeia em São Paulo, em 2004, Laéssio fez amizade com um homem conhecido como Chacrinha, apontado como integrante do PCC. Ele diz não saber o que era o PCC na época e descreve a relação como uma mentoria que acabou virando negócio de obras raras. A investigação indica que essa relação ajudou a moldar os golpes que se espalharam pelo Brasil, contando com a participação de uma familiar de Chacrinha em algumas etapas do esquema.

Em outro áudio, Laéssio fala do marido, Carlos Leandro Ferreira da Silva, o Carioca, que mora em São Paulo há seis anos. O suspeito descreve a realidade do Rio de Janeiro como marcada pela violência, dizendo que a maioria das pessoas da infância dele já faleceu. Ele também afirma não atuar no tráfico e afirma que o seu negócio é a arte, chegando a dizer que pode enviar um vídeo para comprovar. O policial acredita que o casal mantém contatos com a rede ligada ao PCC.

Sobre o roubo da Mário de Andrade, Laéssio é apontado como mentor intelectual de 13 obras roubadas, entre elas peças valiosas do acervo que ainda não foram localizadas. A Justiça decretou a prisão temporária dele, do marido e de Regiane Rodrigues da Silva, 43, bacharela em direito, suspeita de ter levado dois homens ao local para reconhecimento do acervo, numa espécie de visita guiada. A dupla responsável pelo crime inclui Gargamel e Sujinho; até o momento, apenas Sujinho está preso. O grupo também é ligado ao furto de livros no Clube Português, no Brooklin, em 18 de março.

Este caso chega a ampliar o histórico de Laéssio. Em 1998 ele já havia sido apontado pelo furto de revistas raras na Fundação Biblioteca Nacional, e nos anos seguintes também seria ligado a furtos em bibliotecas da USP, do Museu Nacional e do Itamaraty. O tema ganhou as telas do documentário Cartas para um ladrão de livros, da Globoplay, consolidando a imagem de Laéssio como um dos mais procurados criminosos do país quando o assunto é roubo de obras de arte e bibliografia histórica.

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