Dezenas de moradores cristãos foram detidos ao tentar celebrar a Páscoa na cidade de Balkanabat, no Turcomenistão. Em dois domingos consecutivos, a polícia cercou a única igreja local e prendeu cerca de 50 pessoas, incluindo convertidos do islamismo, antes do culto.
Relatos à Rádio Azatlyk indicam ações de agentes do Ministério da Segurança Nacional e da polícia local, que atuaram tanto de forma disfarçada quanto com uniforme, ao redor da igreja para interceptar fiéis antes da entrada no local de culto.
Entre os detidos, cristãos muçulmanos que haviam se convertido ao cristianismo tiveram a entrada proibida e foram encaminhados para interrogatórios.
A dimensão das ações ficou evidente pela retirada de cerca de 50 pessoas para delegacias, em veículos oficiais e particulares. A ação sugere planejamento prévio e um conhecimento detalhado sobre os fiéis visados.
Durante os interrogatórios, perguntas abordaram quem incentivou a conversão, se houve apoio financeiro e os motivos para abandonar o islamismo. Telefones celulares foram verificados, e quem portava uma Bíblia foi ouvido separadamente, indicando uma busca por evidências de proselitismo não autorizado.
Relatos apontam coerção, ameaças e pressão psicológica para que os cristãos recuassem. Em alguns casos, líderes islâmicos locais participaram de encontros posteriores para exortar o retorno à fé anterior.
Especialistas em liberdade religiosa destacam o controle rígido do governo turcomeno sobre as atividades religiosas. Felix Corley, do Forum 18, afirma que o Estado monitora tanto cristãos quanto muçulmanos para manter a estabilidade social e o domínio ideológico.
Observadores ressaltam que jovens na região enfrentam desemprego e poucas oportunidades, o que os leva a buscar apoio em grupos religiosos minoritários. As autoridades veem esses diálogos como potenciais fontes de dissidência, intensificando a repressão.
Internacionalmente, o Turcomenistão é classificado como país de preocupação elevada com a liberdade religiosa, ocupando a 35ª posição na Lista Mundial da Perseguição 2026. O destino dos cristãos detidos em Balkanabat permanece desconhecido, e as famílias evitam comentar por medo de represálias, destacando a urgência de apoio a fiéis perseguidos.
