Vice “de vitrine” acusa prefeito de violência de gênero após isolamento

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Resumo: a vice-prefeita de São Caetano do Sul, Regina Maura, acusa o prefeito Tite Campanella de violência política de gênero e o TRE-SP abriu investigação sigilosa sobre as acusações. Ela afirma ter sofrido retaliação, isolamento institucional e interferência na condução da administração desde o fim da eleição.

Regina Maura, médica ginecologista, já ocupou quatro mandatos como secretária de Saúde e foi uma aliada histórica do ex-prefeito Auricchio Júnior. Em entrevista ao jornal, ela afirma que a campanha foi tranquila e que conquistou mais de 60 mil votos, integrando a chapa vitoriosa. Hoje, ela descreve seu papel como vice como essencial, não apenas formalidade.

Segundo a versão de Regina, o diálogo com Campanella se estreitou apenas de forma dificultosa após a eleição. Ela relata que tentava discutir a transição de governo, mas recebia respostas vagas e ficou sem informações sobre quem seriam os secretários – algo que só veio a público quando o prefeito anunciou oficialmente.

A partir do início da gestão, a vice afirmou ter testemunhado mudanças no seu entorno: Campanella dispensou duas assessoras que a acompanhavam, com realocação apenas dois meses depois, uma no gabinete da vice e outra no gabinete do prefeito. Em suas palavras, isso a deixou abalada, destacando que, nas gestões anteriores, a vice possuía assessoria própria e função definida.

Regina também afirma ter sido desligada de convites para eventos oficiais após conceder uma entrevista a um portal local, em abril de 2025, na qual se posicionou contrariamente à abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o ex-prefeito Auricchio Júnior. Em seu relato, esse posicionamento foi apontado como motivo para o isolamento institucional que viria a se intensificar.

Outro marco citado pela vice ocorreu durante a inauguração do sistema de monitoramento Smart Sanca. Ela estava na plateia, enquanto o prefeito, vereadores e secretários ocupavam o palco; Regina, a única mulher eleita, sentiu-se excluída de forma deliberada, o que reforçou a percepção de restrição de participação.

Regina informa ter enviado ofícios ao prefeito e ao chefe de gabinete cobrando respostas sobre as situações relatadas. Em mensagem datada de 28 de janeiro de 2026, ela solicita manifestação clara sobre os pontos apresentados, enfatizando a importância de uma gestão transparente e do respeito às funções públicas da vice.

Galeria

A situação descrita por Regina Maura aponta para uma prática de silenciamento que, segundo ela, atenta contra a participação equilibrada de mulheres na gestão pública e alimenta um debate sobre violência política de gênero. A defesa da vice é pela necessidade de uma estrutura institucional que reconheça e preserve o papel das vices, ainda mais quando há a possibilidade de candidatura própria no futuro.

Até o fechamento deste texto, Campanella não respondeu aos relatos de forma detalhada, mantendo o tom de que o cargo de vice é de caráter de expectativa e que a atuação da vice ocorre na ausência do chefe do Executivo. A apuração em curso no TRE-SP continua em sigilo, e a cidade observa os desdobramentos dessa disputa interna entre as lideranças locais.

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