Resumo: uma jovem de 19 anos, estudante da UnB, reuniu áudios e vídeos que expõem um ciclo de violência que envolve violência psicológica, agressões físicas, cárcere privado e violência sexual praticados pelo ex-namorado, o músico e designer Davi de Oliveira Mendonça. A investigação da Deam da PCDF resultou em medidas protetivas e avançou sob sigilo, destacando a vulnerabilidade enfrentada pela vítima.
A partir das evidências apresentadas, a Justiça deferiu medidas protetivas de urgência que impedem o agressor de se aproximar ou manter contato com a vítima. O caso revela como a relação começou em um cenário de controle — invasão de privacidade, desbloqueio de celular e manipulação nas redes — e evoluiu para isolamento social, com desqualificação das conquistas acadêmicas da jovem pela manipulação do agressor.
As agressões escalaram após o início do convívio forçado com o investigado. Entre os abusos registram-se violência física, danos aos pertences da jovem e uso de redes de apoio familiar para impor o silêncio. A vítima chegou a registrar áudio em que o agressor cometeu abuso sexual, uma violência registrada entre momentos de manipulação psicológica e represálias.
O calvário da universitária começou na adolescência, quando, aos 17 anos, ainda no ensino médio, conheceu o agressor. Ela descreve um quadro de vulnerabilidade que foi explorado ao longo do tempo, com ele começando com comportamentos abusivos que a jovem não reconhecia na época.
“Eu estava em um momento de muita vulnerabilidade e ele começou a se aproximar de mim. Foi o meu primeiro namorado. Mesmo assim, ele já demonstrava comportamentos abusivos que, na época, eu não conseguia identificar.”
A relação, marcada por difamação e isolamento, trouxe ataques psicológicos, descrédito em sua vida acadêmica e tentativas de controlar até a sua liberdade de convívio social. A vítima relata que o agressor desmerecia sua formação na UnB, vinculando-a a um “diploma na parede” e afirmando que ela não terminaria o curso, ameaça que chegou a ser gravada pela vítima em um aparelho reserva.
Ao ampliar o controle, o agressor passou a coagir a jovem com violência física, inclusive rompendo seus pertences e colocando a própria família em posição de respaldo, usando o prestígio social para impor silêncio. Em relatos contundentes, há menção de violência sexual durante o abuso, seguido de episódios de perseguição e de tentativas de impedir qualquer denúncia. Em meio a isso, a vítima acusa o agressor de manter um ritmo de intimidação mesmo após o término.
A investigação aponta ainda que, após o término, o assédio migrou para o ambiente de trabalho e atividade política da vítima, com o agressor frequentando os lugares que ela frequentava e atirando ofensas misóginas. Transfers bancárias via Pix chegaram a ser usadas para enviar mensagens, contornando bloqueios digitais, em uma tentativa de seduzir a reconciliação e manter o controle.
Últimos ataques: em 23 de abril, o agressor seguiu a vítima no BRT do Gama e a encurralou dentro do veículo. Entre 1º e 2 de maio, sob a desculpa de um celular desaparecido, houve um enforcamento violento e ameaças de morte, registradas pela vítima. O inquérito da Deam também confirmou antecedentes criminais do investigado por violência doméstica, mantendo sigilo sobre esse ponto.
“Este relato tem como intuito mostrar que nenhuma mulher deveria estar lutando para ter sua liberdade e dignidade… Isso tem nome: Lei Maria da Penha.”
A Deam continua colhendo depoimentos e analisando o material audiovisual apresentado pela defesa, enquanto a comunidade acompanha o desfecho de um caso que evidencia a vulnerabilidade social e psicológica explorada por criminosos. O objetivo é assegurar a proteção da vítima e destacar a necessidade de denúncias para interromper ciclos de violência.
E você, o que pensa sobre caminhos para apoiar quem sofre violência doméstica e como a sociedade pode reagir de forma mais eficaz? Compartilhe sua opinião nos comentários e ajude a ampliar o debate sobre a proteção das mulheres.
