Budapeste não proibirá a marcha do Orgulho em junho, segundo a polícia húngara, marcando uma mudança em relação ao veto imposto pelo governo de Viktor Orbán no ano anterior. O novo premiê, Péter Magyar, não expressou apoio específico ao evento nem à comunidade LGBTQIA+, tampouco revogou as leis que restringiam seus direitos.
Após a vitória de Magyar nas urnas, em abril, o conservador pró?Europa prometeu uma “nova era” para a Hungria e um governo “para todos”. Ainda sem posicionamento definitivo sobre a marcha do Orgulho, o governo não desfez as normas que limitavam direitos da comunidade LGBTQIA+ e não assumiu um compromisso público de defesa do evento.
A proibição do ano passado ficou no passado: os organizadores apresentaram, nesta semana, uma notificação formal para realizar a marcha no dia 27 de junho. A polícia tinha 48 horas para decidir entre banir ou liberar o evento. Em comunicado enviado à AFP, a autoridade afirmou que, durante o processo de notificação e o diálogo com os organizadores, não houve motivos para impedimento.
O documento da polícia também aponta decisões prescritivas e restritivas em relação a três contramanifestações previstas. No ano anterior, a marcha reuniu um número recorde de mais de 200 mil pessoas, segundo os organizadores, em meio à proibição oficial — visto como uma expressão de rejeição à repressão dos direitos LGBTQIA+ promovida por Orbán ao longo dos anos.
Na União Europeia, o Tribunal de Justiça declarou, no mês passado, que a legislação de 2021 — modificada no ano seguinte para sustentar a proibição do Orgulho — violava normas do bloco. A decisão alimenta o debate sobre limites legais a manifestações e a proteção de direitos civis na Hungria e na região.
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