El Niño vai mudar clima em MG e trazer perigos para a lavoura de café

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Belo Horizonte — a aproximação de um novo El Niño tem potencial de trazer mudanças climáticas relevantes para Minas Gerais, com calor acima da média, alterações na distribuição de chuvas e impactos diretos na água, na agricultura e, especialmente, na lavoura de café, além de pressão sobre o custo de energia.

A explicação vem do Inmet. Anete Fernandes descreve o El Niño como o aquecimento anômalo das águas superficiais da faixa equatorial do Pacífico, a maior célula oceânica do mundo, cuja variação altera a circulação global da atmosfera e, por consequência, padrões climáticos ao redor do planeta.

Embora o monitoramento siga, a intensidade do próximo episódio ainda não está definida. Caso a configuração se consolide até junho ou julho, os efeitos mais perceptíveis podem aparecer na primavera, com calor acima da média, ondas de calor frequentes e chuvas concentradas em janelas curtas, em vez de longos períodos de chuva.

O El Niño também altera a distribuição de chuvas, influenciando a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS). Em anos sob esse fenômeno, as chuvas ficam menos contínuas e mais concentradas em pancadas isoladas, o que eleva o risco de eventos extremos em momentos imprevisíveis e prejudica a previsibilidade climática regional.

Para a cadeia cafeeira de Minas Gerais, as mudanças no regime de chuvas e o calor intenso podem afetar a produtividade, a qualidade da bebida e os custos operacionais, principalmente em áreas mais sensíveis ao estresse hídrico. O Sindicafê-MG aponta que a irregularidade climática pode comprometer etapas críticas do desenvolvimento das lavouras e elevar custos com energia, irrigação, secagem e armazenamento.

Sérgio Meirelles, presidente do Sindicafê-MG, destaca que a falta de chuva na florada reduz o rendimento, enquanto o calor acelera a maturação dos grãos e o excesso de chuva próximo à colheita aumenta o risco de fermentação e perdas na produção. A energia mais cara também impacta toda a cadeia, elevando custos de produção e, por consequência, o preço final.

Enquanto isso, o setor elétrico já observa efeitos, com o sistema recorrendo a termelétricas para manter a oferta. Segundo Sérgio Pacata, consultor de energia da Fiemg, o cenário tende a elevar os custos para consumidores e indústrias, atingindo especialmente as atividades eletrointensivas, como irrigação, secagem e beneficiamento do café.

Por fim, especialistas ressaltam que nem toda precipitação extrema pode ser atribuída ao El Niño, como ficou evidente em Boa Esperança, onde granizo isolado ocorreu sem relação direta com o fenômeno. Ainda assim, Minas tende a registrar temperaturas mais altas ao longo do ano, com ondas de calor mais frequentes e verões menos frios, reforçando a importância de monitoramento constante.

Se você quer entender como o El Niño pode afetar sua região, acompanhe as atualizações dos órgãos de meteorologia e observe as mudanças sazonais de chuva, temperatura e produção agrícola. E você, tem notado alterações no tempo onde vive? Conte nos comentários como tem sido a sua experiência com o tempo, cultivo de café ou consumo de energia.

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