Resumo: A deputada Ana Carolina Serra, presidente da comissão na Alesp, acusa o líder do governo Gilmaci Santos de violência de gênero ao interromper uma sessão e exigir a saída do presidente da Sabesp, Carlos Piani, durante uma oitiva sobre falhas no serviço. O episódio ocorreu na última quarta-feira e já gerou repúdio de aliados e opositores, acendendo o debate sobre respeito institucional no plenário.
A ocorrência se deu na Comissão de Assuntos Metropolitanos e Municipais, quando Piani foi convocado para explicar problemas na prestação do serviço da Sabesp. Com a ausência de quórum para abrir a oitiva, Serra sugeriu que os presentes ouvissem o presidente informalmente, uma prática que vem sendo tolerada pela Casa. Nesse momento, Gilmaci Santos passou a gritar com a deputada e a exigir a saída de Piani do plenário, o que provocou a reação de Serra e de aliados.
Em redes sociais, Ana Carolina Serra repudiou o episódio, dizendo que foi seriamente desrespeitada como deputada e como mulher. “Nunca pensei que viveria na pele aquilo que eu mais repudio… uma deputada não pode ser tratada assim por outro colega”, afirmou, acrescentando que a atitude fere os princípios democráticos. O partido dela, o PSDB, também reagiu publicamente, com nota do diretório estadual destacando a violência de gênero e o constrangimento a mulheres no exercício do mandato.
Já o líder do governo na Alesp, Gilmaci Santos, justificou a retirada de Piani como medida estritamente técnica, devido à ausência de quórum para uma oitiva oficial. Em resposta, a liderança do Republicanos afirmou que a atuação foi pautada no Regimento Interno e negou qualquer desrespeito ou obstrução aos trabalhos legislativos. A deputada adianta que pretende pedir um desagravo público por parte de Gilmaci e afirmou ter conversado com André do Prado (PL), presidente da Alesp, sobre o assunto.
A parlamentar também revelou que não é a primeira vez que se sente intimidada por membros da base governista, relatando situações anteriores em que houve pressões para pautas semelhantes. O PSDB, de Paulo Serra — ex-prefeito de Santo André e marido de Ana Carolina — reforçou o repúdio à postura de Gilmaci em nota pública, enfatizando a importância do respeito institucional e do combate à violência de gênero no plenário. A tensão reacende o debate sobre o equilíbrio entre regimento e convivência democrática no Legislativo.
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