Desejo de doar órgãos cresce e salva vidas em MG: “Chegou meu momento”

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Resumo: Em Minas Gerais, a doação de órgãos ganha agilidade com a autorização eletrônica em cartório. Mais de 2 mil mineiros já registraram a vontade de doar após a morte, fortalecendo o sistema de transplantes do estado. Histórias reais de pessoas que receberam órgãos, como Djavan Yuri e Maria Alice, humanizam a pauta e mostram o impacto de esse desejo se tornar realidade.

O registro de vontade de doar já se tornou uma prática relevante no estado. Hoje, quase 2 mil mineiros formalizaram a decisão, colocando Minas entre os estados com maior adesão à Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (Aedo), segundo o CNB-MG. O estado fica atrás apenas de São Paulo (8,7 mil), Paraná (3,3 mil) e Rio de Janeiro (2,7 mil).

Segundo Victor Fróis Rodrigues, presidente do CNB-MG, o registro em cartório assegura que a vontade do doador seja respeitada, independentemente da opinião de terceiros após o falecimento.

“A autorização eletrônica de doação de órgãos como instrumento realizado em cartório, com a fépública do tabelião, confere total validade e eficácia à manifestação de vontade, permitindo, portanto, que essa manifestação autônoma e determinante da pessoa seja devidamente cumprida, ainda que em desacordo com a opinião dos demais familiares”

Da vontade à doação

O sistema de transplantes em MG enfrenta o desafio de agir com rapidez em um estado de grande dimensão. Segundo Omar Lopes Cançado, diretor do MG Transplantes, já foram realizados, neste ano, 393 transplantes de órgãos e 504 de córneas, números maiores que no mesmo período do ano anterior. A demanda por rins é a maior, reflexo de muitos casos de doenças renais graves. O ranking dos receptores é definido por critérios técnicos e por uma fila organizada, explica Cançado.

“Quem define o receptor é um sistema informatizado do Ministério da Saúde. Com base nos dados do doador e dos pacientes cadastrados, ele seleciona os mais compatíveis e cria um ranking. O paciente que aparece em primeiro lugar é quem recebe o órg;ão”

Perfis de doadores com menos morbidades aumentam o aproveitamento dos órg;õos. Vítimas de AVC e traumas são os doadores mais comuns; quanto mais jovem o doador, maior o potencial de aproveitamento. A rapidez é crucial: coração e pulmão precisam de até 6 horas, fígado cerca de 12 h, e rins entre 24 e 36 h. Uma única doação pode salvar oito ou mais vidas, destaca o MG Transplantes.

Como registrar: o registro da vontade de ser doador pode ser feito gratuitamente pela internet. Basta acessar o site da Aedo, preencher o formulário e indicar o desejo de doar órg;os após a morte. Em seguida, o pedido é encaminhado automaticamente para um cartório da cidade, todo o processo será realizado on-line, com assinatura digital e videoconfência para confirmar identidades e validar o documento.

“Todo o processamento será realizado de forma eletrônica sem necessidade da pessoa comparecer pessoalmente ao cartório e sem gerar nenhum custo de emolumentos, ou seja, o ato é gratuito”


Da vontade à doação – Após a confirmação da morte encefálica, a Central de Transplantes verifica se a pessoa registrou a intenção de doar órgãos. O documento tem validade legal, e a decisão do doador prevalece independentemente da opinião de familiares. O processo se agiliza com a autorização já formalizada.

Lembre da ligação: Djavan Yuri, 34 anos, recebeu um transplante de fígado em março deste ano. Durante a espera, enfrentou novas metásteses, mas, meses depois, ganhou um novo fígado. A história dele começa com o momento em que recebeu a ligação: “Chegou o meu momento”.

Salvou meu maior amor: Tatiana Figueiredo, professora de danca e mãe de Maria Alice, relembra a esperança de ouvir que a filha, aos 6 anos, havia conseguido um coração para transplante. Hoje, Maria Alice, adolescente, leva uma vida considerada normal pela família, fruto da doa&ccedção que transformou de vez o destino da menina.

Djavan Yuri recebeu um transplante de fígado
Djavan Yuri recebeu um transplante de fígado em março deste ano.

Maria Alice recebeu um transplante de coração aos 6 anos
Maria Alice recebeu um transplante de coração aos 6 anos. Hoje, adolescente, leva uma vida considerada normal pela família.

A doença de Maria Alice e a experiência de Djavan mostram como o conhecimento e a aceitação da doação podem salvar vidas. O movimento de adesão voluntária cresce, e cada registro pode significar a diferença entre a espera e a vida nova de milhares de pessoas.

E você, que leitura poderia fazer sobre a importância de registrar a vontade de doar? Compartilhe sua opinião nos comentários: seu veredito pode inspirar mais pessoas a se tornarem doadores e ajudarem a salvar vidas.

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