Pela primeira vez na história, o interior da Bahia celebra um transplante duplo de fígado e rim. A cirurgia, realizada em Vitória da Conquista, foi conduzida pela equipe da Santa Casa e do SUS, devolvendo a vida a um paciente de 55 anos e abrindo caminho para a interiorização de procedimentos complexos.
A doação e captação ocorreram no Hospital Prado Valadares, em Jequié, enquanto o transplante foi realizado no Hospital São Vicente de Paulo, da Santa Casa de Vitória da Conquista. Os dois órgãos vieram de um único doador para atender a um receptor com falência terminal, em uma operação que mobilizou três cirurgias e uma equipe multidisciplinar.
O receptor apresentava cirrose hepática gravemente descompensada associada à falência terminal do rim, com internações frequentes e três sessões semanais de hemodiálise.
O transplante de fígado durou quatro horas, seguido de duas horas e meia para o rim. Ao final, o paciente já acordou e respirava espontaneamente. A operação contou com cinco cirurgiões, um anestesista, dois instrumentadores e dois enfermeiros.
Segundo o cirurgião-geral Luiz Fernando Veloso, chefe do serviço e responsável técnico, o transplante duplo é inédito e representa um marco para a saúde baiana: “Uma pessoa teve sua vida recomeçada de um modo extraordinário, de um modo impensável para nossa cidade há pouco tempo.” O coordenador estadual do Sistema de Transplantes, Eraldo Moura, destacou o papel de interiorizar os transplantes e citou a elevada taxa de negativa familiar no estado, de 68% (média nacional, 45%).
Atualmente, a Bahia tem 2.267 pessoas na fila de transplante de rim e 71 aguardando doação de fígado, reforçando a necessidade de sensibilizar famílias e aumentar o acesso aos órgãos.
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