Júri dos 7 PMs acusados de matar, decapitar e carbonizar jovem é iniciado

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O julgamento de sete policiais militares acusados de matar Geovane Mascarenhas de Santana, em 2014, teve início nesta quarta-feira, 17, no Fórum Ruy Barbosa, em Salvador, com a previsão de durar três dias.

A sessão, que segue a tarde, abriu espaço para depoimentos das testemunhas de acusação e de defesa, enquanto a fase de oitivas ainda está em andamento.

Pela manhã, foi realizada a escolha dos jurados que compõem o Conselho de Sentença. Em seguida, três testemunhas da acusação foram ouvidas; ainda falta uma testemunha da acusação e 12 testemunhas de defesa para serem ouvidas.

O jovem Geovane foi encontrado decapitado, carbonizado, com órgãos genitais removidos e duas tatuagens removidas após o desaparecimento durante a abordagem em 2014.

O júri, que originalmente deveria ocorrer em 24 de abril, foi adiado. Nesta quarta, os policiais Cláudio Bonfim Borges; Jesimiel da Silva Resende; Daniel Pereira de Sousa Santos; Alan Morais Galiza dos Santos; Alex Santos Caetano; Roberto dos Santos Oliveira; e Jailson Gomes Oliveira foram anunciados como réus por homicídio qualificado, com dolo cruel e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Conforme o Ministério Público da Bahia (MP-BA), os sete PMs também respondem por roubo qualificado, sendo que, com exceção de Jailson Gomes Oliveira, há acusação de ocultação de cadáver.

Segundo a denúncia, o crime ocorreu em 2 de agosto de 2014. Naquele dia, Geovane Mascarenhas de Santana conduzia sua motocicleta quando foi abordado por uma patrulha da PM, que o levou pela Rua Luiz Maria, no bairro Calçada, até o local onde o homicídio ocorreu.

A denúncia sustenta que os policiais teriam sequestrado e matado Geovane sem justificar a ação, impedindo qualquer defesa da vítima, que foi surpreendida, mantida sob custódia e assassinada.

Além dos sete PMs, outros quatro suspeitos também foram denunciados pelo MP-BA, mas não foram processados por falta de indícios suficientes de autoria.

Em depoimento à época, os PMs afirmaram que Geovane seria confundido com um suspeito de crime anterior, pois apresentava características parecidas com as do indivíduo procurado para um roubo na região da Calçada. A defesa sustenta que teriam levado o jovem até a suposta vítima para reconhecimento, mas ela não o reconheceu pelo crime, levando à liberação do rapaz em seguida.

Três policiais chegaram a ser presos em agosto de 2014, no Batalhão de Choque, em Lauro de Freitas, região metropolitana de Salvador, mas foram soltos em 12 de outubro, após cumprirem 60 dias de prisão provisória. Os presos na ocasião foram Cláudio Bonfim Borges, Jailson Gomes de Oliveira e Jesimiel da Silva Resende.

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