Belo Horizonte – Um relatório da Polícia Federal descreve encontros sigilosos, uso de números internacionais e técnicas para evitar rastreamento por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e aliados próximos, entre eles policiais aposentados e especialistas em tecnologia. A PF aponta uma rede com logísticas parecidas com roteiros de cinema, incluindo manipulação de mensagens para dificultar investigações.
A PF identifica uma rotina que reuniu Vorcaro, Felipe Mourão (apelidado de Sicário), e membros de A Turma — majoritariamente policiais — e de Os Meninos, especializados em tecnologia. O braço tecnológico era chefiado por David Henrique Alves, apontado como líder do núcleo de hackers, enquanto a coordenação de ações envolvia contatos de antigos agentes.
Em 1º de março de 2026, mensagens indicam que Sebastião Monteiro Júnior propôs um encontro ligado a um jogo do Atlético, mas Marilson Roseno recusou o convite, sugerindo tratar de uma “ideia” antes da partida. Imagens de câmeras de segurança mostram Roseno saindo de um grupo de amigos às 17h06 e seguindo com Monteiro até o pilotis, onde permaneceram sozinhos por cerca de 1h10.
No dia seguinte, 2 de março, a PF identificou uma Range Rover preta estacionada em frente ao prédio de Roseno com ele e Mourão dentro por cerca de 1h20. A investigação também aponta outra Range Rover de Mourão, interceptada pela PF na BR-381, com David Henrique Alves e Katherine Venâncio a bordo, transportando diversos computadores e notebooks.
A apuração destaca o uso de números telefônicos internacionais para dificultar interceptações. O pai de Daniel Vorcaro, Henrique Vorcaro, passou a se comunicar por meio de um terminal registrado na Colômbia. Já Sebastião Monteiro utilizava um número dos Estados Unidos (+1), e Roseno operava com um número internacional no WhatsApp Business para falar com outros integrantes da organização, segundo o relatório.
A investigação aponta que o grupo incentivava a eliminação de provas digitais como prática de rotina. Em uma conversa, Daniel Vorcaro enviou um áudio sigiloso orientando Felipe Mourão a apagar e não compartilhar; Mourão respondeu que iria apenas ouvir. Também ficou demonstrado que Roseno deletou conversas anteriores com Henrique Vorcaro, mantendo apenas mensagens de fevereiro de 2026, além do uso de mensagens temporárias e a evasão de chamadas convencionais.
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As apurações da PF delineiam uma estrutura coordenada para manter operações sob sigilo, com líderes, agentes aposentados e hackers atuando em conjunto. O caso evidencia a necessidade de aperfeiçoar controles e vigilância para coibir redes que cruzem entre forças públicas e atividades criminosas. Quer partilhar sua opinião sobre como aprimorar a fiscalização? Deixe seu comentário abaixo e participe da conversa.
