O ex-presidente Jair Bolsonaro segue sob prisão domiciliar humanitária, com o STF avaliando se a medida permanece ou é substituída. A análise ocorre perto de completar 90 dias, levando em conta a saúde dele e a necessidade de evitar novas exposições. Paralelamente, a Polícia Civil investiga uma pistola registrada em nome dele encontrada com um agente do GSI durante uma blitz no Distrito Federal.

Durante o período, Eduardo Bolsonaro não tem sido autorizado a participar dos encontros na casa, já que ele permanece nos Estados Unidos. A residência continua restrita a familiares autorizados, profissionais de saúde, prestadores de serviço, seguranças e funcionários. Bolsonaro mora com a esposa Michelle Bolsonaro, a filha Laura e uma sobrinha, sem necessidade de autorização judicial para permanecer no imóvel.
Bolsonaro permanece sem celular, telefone ou qualquer meio externo de comunicação direta ou indireta. Até o momento não há indícios de descumprimento dessas regras, segundo a PMDF. Ele deixou a residência apenas para um procedimento no ombro, em março, ficando quatro dias internado antes de retornar à prisão domiciliar.
Na saúde, os médicos destacam estabilidade cardíaca e pressão sob controle, com boa resposta ao tratamento para episódios de soluços. Contudo, a medicação tem causado sonolência diurna e instabilidade no equilíbrio. Também há alteração residual no base do pulmão esquerdo, consequência de pneumonia bilateral, e a equipe recomenda exames do trato digestivo (endoscopia, manometria esofágica e pHmetria) para investigar a origem dos soluços persistentes, possivelmente ligados ao atentado de 2018.
Na área ortopédica, a recuperação do ombro direito evoluiu bem após a cirurgia, com melhoria da mobilidade, embora ainda haja restrições de rotação interna e externa da articulação.
No caso da arma, a polícia abriu um inquérito para apurar uma pistola registrada em nome de Bolsonaro, apreendida com um agente do GSI. O depoimento do militar indica que o equipamento foi entregue para checagem de uma possível falha e seria devolvido. A PCDF pediu autorização ao ministro Alexandre de Moraes para ouvir Bolsonaro por videoconferência, prevista para 24 de junho, às 15h. A defesa afirma que a arma estava sem condições de uso, argumentando que o percussor foi retirado pela equipe de segurança sem o conhecimento do ex-presidente, por receio dos efeitos de medicamentos psiquiátricos. Bolsonaro disse ter entregue a arma após detectar o defeito.
Com o próximo aval de Moraes, a avaliação sobre a continuidade da prisão domiciliar ou a volta ao regime fechado avança, ao lado de dúvidas sobre a arma e o desfecho das questões de saúde. E você, qual é a sua leitura sobre os desdobramentos desse caso?
