Resumo: uma investigação jornalística em Teixeira de Freitas desvela uma possível engrenagem para desvio de verbas públicas via a Sufotur, com quatro produtoras concentrando a maior parte de contratos entre 2023 e 2025, totalizando dezenas de milhões. O caso envolve acusações de superfaturamento, audiovisuais reveladores e envolvimento de dois secretários municipais, além de relatos de artistas prejudicados.
As apurações, apoiadas por áudios e vídeos vazados, mostram discrepâncias gritantes entre os valores de mercado e os pagos pelo Estado. Enquanto apresentações eram negociadas por valores baixos no âmbito privado, as notas fiscais da Sufotur indicavam pagamentos que ultrapassavam dezenas de milhares por show, gerando suspeitas de superfaturamento e possível lavagem de recursos.
Entre os citados, dois secretários municipais aparecem como personagens centrais na ponte entre a gestão pública e as empresas envolvidas. Marx Tairo Pereira Salles, o Tairo, atua em Medeiros Neto e já foi apontado formalmente como sócio de uma das empresas. Já David Loyola, secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de Teixeira de Freitas, é apontado por testemunhas como o articulador principal de uma empresa envolvida, embora seu nome não conste no contrato social.
As defesas oficiais destacam que as Prefeituras de Teixeira de Freitas e Medeiros Neto não tinham relação com o esquema, e que os desvios teriam ocorrido apenas nos contratos firmados com a Sufotur, órgão do governo estadual. A Sufotur garantiu rígidos controles internos e transparência, enquanto o ex-superintendente Diogo Medrado afirmou que as contratações obedeceram a normas técnicas e jurídicas vigentes na época.
A reportagem também traz à tona o depoimento de músicos e artistas locais, que relatam ter trabalhado nas festividades sem receber ou recebendo apenas uma fração do cachê, enquanto as empresas supostamente embolsavam o excesso de recursos repassados pelo Estado. O caso ganhou contornos políticos ao envolver familiares de figuras públicas importantes na gestão estadual.



O Ministério Público da Bahia acompanha as investigações, que ainda aguardam desfecho judicial. Em meio às denúncias, a apuração ressalta a necessidade de fortalecer a transparência dos contratos culturais da região e a aplicação de controles mais rigorosos nos atos administrativos que envolvem recursos públicos.
Este caso aproxima questões de gestão, política local e a realidade de artistas da periferia, que muitas vezes veem o quanto a engrenagem do setor público pode falhar na prática. Enquanto as apurações avançam, a comunidade acompanha de perto as defesas oficiais, as diligências e as possíveis implicações para a gestão estadual e municipal.
E você, o que acha da relação entre governança pública, empresas de eventos e artistas locais? Deixe sua opinião nos comentários e participe do debate sobre transparência e responsabilidade na aplicação de verbas públicas.
