ONG de Karina Gama, produtora de Dark Horse, misturou documentos de filme e de produtora em prestação de contas à prefeitura
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A primeira linha de apuração envolve o convênio entre o Instituto Conhecer Brasil (ICB), a Go Up — produtora por trás de Dark Horse — e a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) para o projeto Riefa 2023. A polícia civil investiga se parte dos recursos destinados a esse acordo foi, de alguma forma, desviado para financiar a produção do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a coluna, o ICB chegou a anexar documentos para a prestação de contas, apontando atividades relacionadas ao seminário sobre inovação na educação. A investigação aponta que a soma total do convênio alcançou R$ 108 milhões, com pagamentos vinculados à produção do projeto.
Entre os registros, está a informação de que o ICB contratou a ICT Inova Brasil para gerar conteúdo de vídeo e conteúdo de metaverso. A ICT, como mostram documentos, está ligada ao atual secretário Humberto Alencar (na época, secretário adjunto), o que suscitou questões sobre a relação entre as duas entidades e o objeto original do convênio.
Não há evidências nos registros do contrato de que o conteúdo de metaverso tenha sido efetivamente produzido, apesar da declaração de entrega de serviços pela ICT.
Em seguida, a prestação de contas traz outra página: uma pasta denominada “ICB e Go Up”, que reunia informações tanto do ICB quanto da GoUp, produtora de Dark Horse. A polícia suspeita que ICB e GoUp possam representar a mesma entidade.
Para a GoesUp, também constam relatórios anuais da GoUp Entertainment LLC, com atividades vinculadas aos Estados Unidos, além de fichas da GoUp brasileira na Junta Comercial. Na mesma pasta, havia registros de um suposto “Contrato de Wifi” associando Rodrigo Raveli, hoje gerente de eventos da SPTuris, a contestações envolvendo contratos da prefeitura.
Outra etapa aponta que Raveli, na qualidade de fiscal de contratos da estatal, financiou eventos de outra ONG ligada a Karina Gama, ampliando a complexidade da relação entre as partes envolvidas no projeto Riefa 2023.
Nesta segunda-feira (22), a coluna revelou que o ICT Inova Brasil, ligado a Humberto, foi contratado pelo ICB para fornecer conteúdos de vídeo e de metaverso no convênio com a SMIT, ainda quando Humberto exercia função de adjunto. Em resposta, Karina Gama afirmou que os serviços foram prestados e que a versação antiga de arquivos está sendo apurada para esclarecer eventuais equívocos, prometendo devolver explicações. Humberto Alencar não respondeu às tentativas de contato.
Em nota, a SMIT afirmou que todos os documentos pertinentes à prestação de contas do Riefa 2023 foram juntados em abril de 2025. A secretaria reforça ainda que a subpasta “ICB e Go Up” foi incluída apenas em maio de 2026, sem ligação com o objeto do termo de fomento. Segundo o texto, a pasta em questão pertence à Organização da Sociedade Civil (OSC) e não tem responsabilidade sobre a SMIT.
A prefeitura observou também que a utilização de nomes ou convites para conhecer projetos de inovação não caracteriza vínculo institucional, especialmente com registros de desligamento de cargos em 2021. A apuração continua em curso, com a administração reiterando a necessidade de clarificar eventuais ligações entre as entidades e as responsabilidades financeiras do projeto.
E você, o que acha desta montagem envolvendo ong, produtoras e a prefeitura? Compartilhe suas perguntas, opiniões e pontos de vista nos comentarios para acompanhar o desfecho das investigações e as respostas oficiais.
