Resumo: Em São Paulo, o Major Rafael Rozenszajn, porta-voz do IDF para o português, aborda como a desinformação molda guerras modernas. Hoje, o conflito começa na percepção — alimentada por vídeos curtos e algoritmos — antes mesmo de qualquer ação concreta nos campos de batalha.
Rozenszajn sustenta que guerras reais já não se travam apenas com força militar. No ambiente digital, quem controla o fluxo de narrativas muitas vezes supera quem detém os fatos. Em tempos de memes, conteúdos virais e “veracidade” fabricada, a batalha atual é pela construção de uma realidade compartilhada.
A palestra destaca a “Industrialização da Mentira”. Dois casos ganham notoriedade: o ataque ao Hospital Batista Al-Ahli, em Gaza, em 2023, que gerou uma onda de acusações virais contra Israel; evidências posteriores mostraram que o estrago decorreu de um míssil de um grupo aliado, sem a validação inicial. Outro episódio envolveu relatos de civis mortos em uma fila de alimentos, que também foram usados para difundir uma narrativa de culpa que a comprovação posterior desmentou. Nesses casos, a velocidade de veiculação supera a verificação, tornando a mentira difícil de conter.


A pesquisa do Pew Research Center, citada na turnê brasileira, mostra Brasil entre os poucos países da região que apresentaram melhora simultânea em três métricas sobre Israel: apoio, rejeição e rejeição radicalizada, em 2026. Segundo Rozenszajn, esse dado reforça a ideia de que compreender a desinformação é crucial para formar opinião com base em fatos complexos, não em narrativas simplificadas.
O diagnóstico final, segundo o porta-voz, não é apenas técnico. É humano: fatos precisam de contexto, linguagem clara e, sobretudo, humanidade. A defesa da verdade passa por educar o público para identificar fontes, checar dados e reconhecer que diferentes versões convivem — sem cair em regras fáceis de “certas” ou “erradas”.
“A guerra de hoje não começa com o primeiro disparo. Ela começa com o primeiro vídeo que você acredita.” Esse comentário resume a essência da palestra: a verdade se conquista pela leitura crítica de conteúdos, não pela aceitação passiva de narrativas fáceis. A viagem pelo Brasil visa justamente oferecer ferramentas para ler o conflito com menos ruído e mais contexto.
E você, o que pensa sobre o papel das redes e dos algoritmos na formação de opiniões sobre conflitos internacionais? Compartilhe sua leitura nos comentários e junte-se à conversa sobre como informar-se de maneira mais consciente no mundo conectado de hoje.
