Fissura labiopalatina é a malformação craniofacial congênita mais comum no Brasil, atingindo cerca de 5 mil crianças por ano — aproximadamente 1 caso a cada 650 nascimentos. O Centrinho HRAC-USP, em Bauru, destaca-se pela abordagem multidisciplinar que acompanha o paciente desde o diagnóstico até a reabilitação social, tornando-se referência nacional e internacional.
Essa condição envolve abertura no lábio, céu da boca ou em ambos, desenvolvida durante a gestação. Em muitos casos é visível ao nascimento e, com os avanços da medicina, pode ser detectada ainda na gestação por ultrassom, permitindo planejamento terapêutico precoce.
Fundado em 1967, o Centrinho de Bauru, ligado ao HRAC-USP, tornou-se referência nacional e mundial no tratamento da fissura labiopalatina. O diferencial é o tratamento integral que acompanha o paciente desde as primeiras cirurgias até a reabilitação odontológica, fonoaudiológica e social, com foco na reinserção e na qualidade de vida ao longo de anos. Ao longo de quase seis décadas, mais de 100 mil pacientes já passaram pelo centrinho.
História de Thyago Cezar: nascido em janeiro de 1986, em São Paulo, ele enfrentou o diagnóstico e recebeu tratamento no Centrinho desde os oito dias de vida. O caminho total durou 25 anos e 3 meses, com 10 cirurgias e 12 anos de aparelho ortodôntico, além de acompanhamento com fonoaudiologia, odontologia, psicologia e terapias ocupacionais. Hoje, aos 40 anos, Thyago é advogado e atua pela defesa de direitos de pessoas com fissura labiopalatina.
A trajetória de Thyago o levou à defesa de políticas públicas. Em 2015 participou de uma audiência pública para criar o Dia Municipal da Conscientização da Fissura Labiopalatina; em 2016 ingressou na Rede Profis Brasil, que reúne associações de famílias e pessoas com fissura em todo o país. A rede promove acesso à reabilitação multidisciplinar, acolhimento e defesa de direitos. No nível federal, projetos avançam com aprovação em alguns estados e tramitação em outros, refletindo a complexidade de medidas públicas.
Desafios de acesso àcare não são iguais em todo o país. Região Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentam maior disponibilidade de serviços, enquanto Norte e Nordeste enfrentam barreiras geográficas e financeiras. O Centrinho HRAC-USP, com mais de 100 mil pacientes atendidos, reforça a importância de diagnóstico precoce e de equipes bem distribuídas para garantir tratamento adequado e contínuo.
Conscientização e investimento público são peças-chave para que a fissura labiopalatina não comprometa o potencial de quem nasce com ela. Profissionais capacitados, redes de referência eficientes e transporte adequado ajudam famílias a manter o acompanhamento ao longo do crescimento. E você, quais experiências ou opiniões tem sobre o cuidado multidisciplinar e a inclusão social? Deixe seu comentário para juntos ampliarmos essa conversa.
