
O Ministério da Saúde apresentou nesta quarta-feira, em São Paulo, uma nova Política Nacional de Atenção Integral à População em Situação de Rua. A medida amplia equipes, cria unidades móveis do SUS e foca no acesso, no cuidado contínuo e no combate a preconceitos dentro das unidades de saúde.
A novidade eleva para 392 o total de equipes dedicadas e prevê a criação de 400 Unidades Móveis de Rua (UMR), com a meta de funcionamento até 2027, num investimento de cerca de R$ 144 milhões. O objetivo é levar atendimento qualificado diretamente a quem vive nas ruas.
As UMRs vão oferecer ginecologia, consultas, coletas de sangue, exames e testes rápidos. São unidades adaptadas para circular pela cidade, com espaço para curativos, educação em saúde e ações de apoio, levando a assistência até onde a pessoa estiver.
O ministro Alexandre Padilha ressaltou que não será exigido cartão SUS para atendimento. A política reforça o acolhimento como regra e amplia o acesso sem burocracia, ao mesmo tempo em que fortalece ações de redução de danos e valoriza a participação das próprias pessoas em situação de rua na construção das políticas públicas.
Eixos
A política é estruturada em sete eixos de atuação. O primeiro foca na Atenção Integral, ampliando o acesso aos serviços, priorizando a saúde bucal, a saúde da mulher e garantindo continuidade do cuidado após a desospitalização.
O segundo eixo enfrenta discriminações e incentiva estudos sobre o impacto do preconceito na saúde. Há ainda um eixo de dados e monitoramento que prevê a inclusão obrigatória do campo “população em situação de rua” nos cadastros do SUS.
Outros eixos tratam da gestão participativa, do treinamento de profissionais e da vigilância em saúde. O conjunto prevê protocolos de proteção aos trabalhadores informais e respostas rápidas para eventos climáticos extremos, articulando saúde com educação, nutrição e ações para reduzir desigualdades.
Daiane Cristina Rodrigues, 36 anos, que viveu nas ruas e hoje trabalha na Pastoral do Povo da Rua, afirma que a política pode transformar a vida de quem está nessa situação. “Muda tudo, muda muita coisa. O atendimento vai ficar melhor; antes era difícil, especialmente para mulheres e homens sem endereço fixo.”
“Muda tudo, muda muita coisa. O atendimento vai ficar melhor, né? Antigamente, o atendimento não era bom, ainda mais para a gente em situação de rua.”
O padre Júlio Lancellotti destacou a importância de levar serviços de saúde até as ruas. Segundo ele, o transporte móvel substitui a repressão por cuidado, abrindo caminho para que a população em rua tenha acesso facilitado a serviços de saúde e proteção.
O conjunto de eixos busca ainda articular a saúde com segurança alimentar e nutrição adequada, promovendo uma atuação integrada para enfrentar as desigualdades que afetam esse público.
A implementação dessa política, alinhada aos compromissos do SUS, sinaliza um avanço significativo no cuidado à população em situação de rua. E você, qual a sua leitura sobre a medida e o impacto esperado na vida dessas pessoas? Compartilhe seus pensamentos nos comentários.
