Em áudio revelado pelo Metrópoles, Luiz Henrique Souza Ikeda descreve abusos praticados contra filha, que na época tinha 10 anos
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Resumo inicial: um áudio divulgado pelo Metrópoles traz relatos do coronel reformado da PM de São Paulo, Luiz Enrique de Souza Ikeda, descrevendo abusos sexuais contra a filha, na época com 10 anos, em Limeira (interior paulista) em 2011. A gravação, feita na cozinha da residência dele na véspera da morte da esposa, tem cerca de 2h30 e aponta pelo menos dois estupros, além de tentativas de distorcer o enredo a depender do depoimento.
Em 2011, os acontecimentos teriam ocorrido em Limeira, com a menina na faixa dos 10 anos. Em 2017, já com 16, a filha gravou parte da conversa entre pai e filha, o que trouxe à tona o material. A partir dessas revelações, Ikeda passou a responder por estupro de vulnerável; o processo, que tramita em segredo de Justiça, teve movimentação recente limitada e não há data definida para o julgamento, segundo a apuração dos veículos. Em fevereiro do ano passado, o Ikeda tornou-se réu pelo crime, em um caso que envolve episódios de abuso reiterados. A defesa chegou a pedir a anulação do depoimento de uma conselheira tutelar que denunciou o caso, alegando conflito de neutralidade; o pleito foi negado.
A gravação, cuja duração impressiona (cerca de 2h30), mostra Ikeda na cozinha da casa, no período anterior à morte de sua esposa, discutindo o que ocorreu com a filha. Em um dos trechos, admite ao menos dois estupros em distintas situações e atribui a culpa à jovem, afirmando que a menina seria “curiosa” e “sonâmbula”. Um
“Eu tinha bebido muito. Você me aparece na lavanderia, no meio do que aconteceu, e curiosa de saber como é que eram as coisas. Então, eu estava suscível ao que aconteceu. Deixei rolar. Então, como eu falei, eu não me eximo de culpa. Só que, nessa história, a culpa não é só minha. Nunca foi. Tudo bem, você tinha 11 anos de idade, ia fazer 11. Então a sua culpa não é tão grande, porque você estava curiosa
”, descreve o depoimento.] Em outra passagem, o coronel relata um episódio em que a menina teria manuseado seu pênis durante um estupro, descrevendo as interações com detalhes explícitos.
Em entrevista prestada em novembro de 2024, Ikeda tentou minimizar a relevância da gravação dita como parte do caso, afirmando que o áudio de 2017 seria um “golpe” — uma estratégia da filha para usá-lo contra ele. No relato durante a oitiva, o militar apresentou outra versão: afirmou ter apenas deixado a menina colocar o pé sobre sua genitália, sem que houvesse continuidade de agressão, o que contrasta com as descrições de abuso contidas no áudio.
Além das entrevistas, a defesa questiona o papel da conselheira tutelar cuja denúncia culminou na ação penal, citando o testemunho dele em processos paralelos na Justiça Militar. Em dezembro de 2024, a servidora descreveu o momento em que encontrou um dos filhos de Ikeda, então com 13 anos, tentando fugir de casa na rodovia Washington Luís, em São Carlos, alegando que o pai abusava da irmã e que o menino também era deixado sem alimento. Essa oitiva é citada pela defesa para sustentar a tese de que houve parcialidade na condução do caso.
O caso segue a passos lentos: embora o registro de abusos tenha sido consolidado no áudito de 2017 e o processo por estupro de vulnerável esteja em curso, não há previsão de julgamento. A originalidade do áudio, a diversidade de depoimentos de familiares e a defesa insistente sobre “golpes” reforçam a complexidade do caso, que envolve também relatos de situações familiares traumáticas.
Agora é esperar as próximas movimentações da Justiça, que deverá consolidar os elementos de prova e decidir sobre a responsabilização do coronel, com base nos autos sigilosos. Enquanto isso, o debate público sobre proteção de vítimas e práticas de acusações permanece aberto, e a opinião de leitores e leitores interessadas permanece bem-vinda nos comentários.
