O Ministério da Saúde lançou um piloto no SUS para testar a semaglutida no tratamento da obesidade no Rio Grande do Sul, acompanhando 250 pacientes do Grupo Hospitalar Conceição. O estudo, com duração de dois anos, vai avaliar a eficácia clínica, o impacto financeiro e a viabilidade de implantação no sistema público, com apoio da Fundação de Apoio da UFRGS e da fabricante do medicamento.
A iniciativa busca entender se a semaglutida, fármaco da classe GLP-1, pode ajudar na perda de peso, na melhoria da qualidade de vida e na redução de custos a longo prazo no SUS, especialmente entre pacientes com obesidade grave ou comorbidades que dificultam intervenções cirúrgicas.
Os pacientes selecionados já recebem acompanhamento médico no Grupo Hospitalar Conceição. Além de cumprir diagnóstico de obesidade por pelo menos 12 meses, eles precisam ter falhado no tratamento clínico tradicional, com dietas estruturadas e prática regular de atividade física por pelo menos dois meses. É essencial que saibam aplicar o medicamento ou que tenham um cuidador para isso.
Em agosto do ano passado, a Conitec recomendou não incorporar liraglutida e semaglutida ao SUS, citando o custo elevado. O impacto financeiro estimado para essas terapias é de cerca de R$ 8 bilhões por ano.
“Esse público reflete o perfil assistencial da unidade, na qual 91% dos pacientes com obesidade apresentam a forma mórbida da doença. Dentre esses, apenas 47% possuem condições clínicas para realização de cirurgia bariátrica. A comorbidade mais prevalente nesse grupo é a hipertensão arterial”,
Ao longo de dois anos, serão acompanhados indicadores centrais para entender como o tratamento pode ser adaptado ao SUS, incluindo a perda de peso, a evolução da qualidade de vida, resultados de exames clínicos, condições pós-operatórias e os custos do processo.
A pesquisa será viabilizada com recursos destinados ao hospital pela Fundação de Apoio da UFRGS, provenientes do aporte financeiro da fabricante do medicamento.
Além de acompanhar pacientes já sob cuidado do Grupo Conceição, a seleção exige que o diagnóstico de obesidade tenha sido confirmado há pelo menos 12 meses e que haja comprovação de falha no tratamento convencional. Também é necessário que o paciente entenda como realizar a autoaplicação ou tenha alguém para apoiar nesse procedimento.
A proposta de incorporar canetas emagrecedoras no SUS volta ao debate com o objetivo de ampliar opções terapêuticas para obesidade, sempre atenta aos custos e à viabilidade de integração ao sistema público de saúde.
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