Após derrota de Orbán, Parada do Orgulho LGBT+ toma ruas da Hungria

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Participantes agitaram bandeiras pequenas e grandes com as cores do arco-íris, muitas pessoas, a maioria jovens, enfrentaram o sol forte

Reprodução/X
Imagem colorida de parada LGBT+ na Hungria

Dezenas de milhares participaram da Parada do Orgulho LGBT+ em Budapeste neste sábado, 27 de junho, celebrando a liberdade de fazer a manifestação após a saída do premiê ultraconservador Viktor Orbán. A multidão, predominantemente jovem, enfrentou o calor intenso para lembrar que direitos conquistados não podem ser cedidos facilmente.

No ano anterior, mesmo com a marcha proibida, mais de 200 mil pessoas marcharam como forma de resistência. Este ano, o número foi menor do que em 2025, mas ainda assim superior a edições anteriores, evidenciando um movimento que segue forte mesmo em tempos de mudanças políticas.

Sob o sol de Budapeste, bandeiras com as cores do arco-íris se destacaram, e a esperança de avanços ganhou voz entre os participantes. “A situação está melhorando gradualmente para as pessoas LGBT+ com a mudança de governo”, comentou Petra Toth, de 18 anos, que participou da parade pela primeira vez com a namorada.

Posição do novo governo A vitória do conservador Peter Magyar, que assumiu após a derrota de Orbán, gerou alívio entre a comunidade LGBT+ na Hungria. Embora ainda não tenha promovido medidas para reverter restrições anteriores, ele deixou claro que não imporá uma visão única sobre como os húngaros devem viver, afirmando que todos são livres para amar quem quiserem desde que não violem a lei. Na posse, Magyar acrescentou que o governo está aberto a discutir questões sociais sensíveis, caso haja demanda social.

“Se houver necessidade de tratar desses temas, estamos dispostos a discuti-los”, disse o novo premiê, sinalizando uma abertura gradual, sem indicar um retorno automático dos direitos já restringidos.

A expectativa de revogação das leis anti-LGBT+

Embora a polícia tenha dito à AFP que não havia fundamentos para proibir a Parada e os organizadores do ano passado tenham retirado acusações criminais, políticas discriminatórias seguem em vigor. Em abril, o Tribunal de Justiça da União Europeia decidiu que a legislação anti-LGBT+ aprovada em 2021 violava as regras do bloco.

Organizações de direitos humanos divulgaram, na semana passada, uma declaração conjunta cobrando ação de Magyar para revogar as leis que afetam pessoas LGBT+. Uma pesquisa recente do instituto Median aponta que 68% dos húngaros apoiam casamento e adoção por casais do mesmo sexo. A Anistia Internacional da Hungria pediu ao governo a garantia de direitos iguais para esses casais.

Na prática, a continuidade das mudanças depende de ações políticas que assumam o compromisso com a igualdade. Enquanto isso, a Nova Era em Budapeste parece trazer a possibilidade de um equilíbrio entre valores tradicionais e direitos civis, com a comunidade LGBT+ buscando espaços cada vez mais seguros para viver e trabalhar sem discriminação.

Se você acompanhou a cobertura ou tem opiniões sobre o tema, deixo o espaço para seus comentários e reflexões sobre o que pode — ou não — mudar na Hungria nos próximos meses.

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