Belo Horizonte vive o temor de um El Niño mais intenso, capaz de deixar um verão mais quente e com menos chuva em Minas Gerais. Especialistas ressaltam que o fenômeno pode se intensificar, mas sem justificar estocar tudo de comida. A NOAA projeta 63% de chance de o El Niño chegar à intensidade “muito forte” entre o final de 2026 e o começo de 2027, possivelmente sendo um dos mais fortes desde 1950.
Entre quem já se prepara está a educadora Mirella Dellazzari, de 45 anos, moradora da zona rural de Uberaba. Ela mantém um estoque para cerca de três meses para uma família de seis, prática que já acompanha desde a pandemia. “Eu já armazeno desde a pandemia”, afirma. O abastecimento inclui arroz, macarrão, enlatados, milho, lentilhas, produtos de higiene, pilhas, baterias, antibióticos, itens de primeiros socorros e até pederneiras, com reposição mensal para evitar peso no orçamento.
Para explicar o fenômeno, o geógrafo e cientista do clima Lucas Oliver compara o aquecimento do Pacífico a um chuveiro quente em um banheiro fechado: aquece o ambiente e transforma a circulação do ar. “O aquecimento das águas muda a dinâmica da circulação atmosférica”, aponta. A NOAA recomenda ficar atento aos possíveis impactos globais, ainda que o cenário permaneça uma previsão sujeita a mudanças.
Em Minas, a principal preocupação é a combinação de calor intenso com chuvas abaixo da média. A previsão aponta até quatro ondas de calor entre outubro e março, com dias na casa dos 35°C. A umidade, porém, deve aumentar devido ao Atlântico mais quente, o que pode gerar bloqueios atmosféricos que deslocam as chuvas para o Sul, reduzindo a presença de precipitação no estado. Mesmo com menos chuva, a tendência é de episódios mais fortes quando chover.
Os especialistas destacam que a chuva tende a ficar menos volumosa, com queda estimada de 10% a 15% no total de água, mas com menos dias chuvosos. Assim, as precipitações podem ocorrer de forma mais concentrada, elevando o risco de temporais, deslizamentos e inundações. O cenário, se confirmado, também preocupa o sistema elétrico, já que menos chuva pode atrasar a recuperação de reservatórios e pressionar tarifas de energia em 2027.
Mesmo assim, o método mais sensato é a cautela: modelos ainda são previsões climáticas sujeitas a mudanças, e não há como apontar cidades específicas nem orientar medidas como estocar água por completo. Em Belo Horizonte e região, o clima poderá alternar entre períodos de calor intenso e pancadas mais fortes quando chover, sem garantir padrões uniformes pelo estado. Compartilhe nos comentários como você está se preparando e que impactos você já teme para sua região.
