Delação revela uso de fintechs e operações com dinheiro vivo para lavar recursos do PCC
Resumo: em delação premiada, Antônio Vinícius Lopes Gritzbach explicou ao Ministério Público de São Paulo como o PCC transformava dinheiro vivo em valores com aparência bancária, recorrendo a fintechs, transferências (TED) e laranjas para lavar recursos. A reunião com o Gaeco, ocorrida em 6 de outubro de 2023, foi gravada e divulgada pelo Metrópoles.
Segundo o relato, o funcionamento era simples na prática: quem tinha grandes quantias em dinheiro físico procurava alguém para fazer a compensação bancária. O dinheiro era entregue e, em troca, recebia-se uma TED, fazendo o montante circular como se fosse depósito legítimo. Quem oferecia a conta ganhava entre 1% e 2,5% do valor movimentado.
Gritzbach descreveu o que chamou de “bancarizar” o dinheiro: com example hipotético de 1 milhão de reais, o dinheiro vivo entrava no fluxo financeiro mediante uma TED correspondente, permitindo uso para compra de imóveis ou contratos sem o peso de uma pilha de dinheiro nas mãos.
As fintechs, segundo ele, funcionavam como uma camada protetora para os donos reais dos recursos. Operando em conjunto com uma instituição maior, criavam um guarda-chuva para correntistas e avisavam sobre movimentações de polícia com antecedência, facilitando a retirada de recursos ou a mudança de formatos de movimentação. Em suas palavras, esses operadores podiam ser alertados antes de qualquer bloqueio.
“Eles [criminosos] conseguem ser avisados por eventuais investigações, conseguem ser avisados por eventuais bloqueios.”
A partir disso, explicou o delator, o correntista podia evitar traços de irregularidade desviando a rota de suas operações.
Rafael Maeda Pires, o Japa, foi citado como quem comandaria as TEDs, inclusive fornecendo comprovantes para depósitos em negócios imobiliários, quando necessário. Segundo Gritzbach, Maeda mantinha o controle das movimentações através de contas vinculadas ao banco. Outros relatos mencionam que Maeda e Cláudio Marcos de Almeida, o Django, teriam sido absolvidos em tribunal do crime do PCC após acusações envolvendo assassinatos; ambos teriam sido mortos posteriormente. A investigação vê nesses desfechos indícios de disputas internas, lavagem de dinheiro, contratos imobiliários e corrupção policial.
Ainda, o depoimento aborda a atuação do Coaf, com o delator elogiando a detecção de irregularidades, mas criticando partes dos relatórios por nem sempre compreenderem a lógica por trás das operações. Ao todo, o material retrata o caminho do dinheiro: imóveis de luxo, uso de laranjas, contratos paralelos e remessas, que transformavam dinheiro vivo em saldo bancário sob a aparência de legalidade.
No conjunto, o depoimento de Gritzbach ajuda a entender a frente de lavagem de dinheiro do PCC, mostrando como o dinheiro ilegal percorria imóveis, fintechs, criptomoedas e transferências para ganhar liquidez e evitar rastros.







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