MP aponta que vereador era verdadeiro dono de empresa ligada ao PCC

Escrito por: Diógenes Cunha

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Uma operação recente, deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo, aponta o vereador Senival Pereira de Moura (PT) como o “verdadeiro controlador” da concessionária Transunição Transportes S.A. e mostra um esquema financeiro clandestino ligado ao PCC, engendrado a partir da gestão da empresa. A ação resultou na prisão de Moura, do presidente da Transunição, Lourival França Monário, e de outros investigados, além de evidências de desvios milionários e infiltração criminosa na administração.

Reprodução
vereador Senival Moura (PT)

A conclusão da investigação repousa na análise de comunicações telemáticas apreendidas e em documentos encontrados durante as diligências. O material indica que Moura exerceu controle estratégico da empresa, utilizando-a para movimentar recursos de origem ilícita e financiar o aparato financeiro que sustenta o crime organizado vinculado ao PCC.

Entre as evidências, destaca-se o desvio de cerca de R$ 15 milhões na chamada denominada “garagem”, verba destinada aos acionistas da Transunição, mas que não chegou aos destinatários. O operador financeiro Leonal Moreira Martins é apontado como beneficiário de aproximadamente R$ 200 mil provenientes desses recursos não repassados.

A investigação também cita passagens de um manuscrito apreendido na residência de Jair Ramos de Freitas, conhecido como “Cachorrão”, identificado como autor do assassinato de Adauto Soares, ex-presidente da concessionária, em 2020. Conforme o material, o documento traz referências à atuação de codinomes vinculados a Moura e a Moreira e à suposta rede de proteções que sustentaria o esquema financeiro clandestino.

Mais cedo, a operação resultou na prisão de Senival Moura, do presidente da Transunição Lourival França Monário e de outros investigados. As apurações indicam infiltração do PCC na administração da empresa e uso da estrutura para movimentar e ocultar recursos ilícitos.

Durante as buscas, agentes localizaram R$ 65 mil em espécie escondidos dentro de sacos de lixo em um dos imóveis. Vídeos obtidos pela coluna mostram um dos alvos retirando o dinheiro, em ação associada ao operador Devanil de Souza Nascimento, conhecido como Sapo, apontado como apoio ao vereador. A investigação, iniciada após o homicídio de Adauto Soares Jorge, aponta indícios de que integrantes do PCC passaram a influenciar decisões estratégicas da concessionária a partir daquele momento.

O conjunto de provas, envolvendo comunicações, documentos e vídeos, sustenta a hipótese de que o sistema financeiro da Transunição foi instrumentalizado para fins ilícitos, sob a influência de lideranças vinculadas ao PCC, com Moura na linha de frente do controle da empresa.

O caso provoca novas buscas por respostas sobre o papel de atores políticos e empresariais na gestão de transportes públicos na região, com possíveis impactos na fiscalização, na governança corporativa e na credibilidade de serviços essenciais à população. Comente abaixo suas opiniões sobre os desdobramentos desse caso e como ele pode influenciar a mobilidade urbana na sua cidade.

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