Pessoas negras representam mais de 93% das mortes por intervenção policial na Bahia, confirma estudo

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Ilustração sobre letalidade policial

Um estudo divulgado hoje mostra que a Bahia registra um padrão de letalidade policial fortemente ligado ao racismo estrutural, com 1.243 mortes no último ano e 93,9% das vítimas negras. O levantamento, da Rede de Observatórios da Segurança, aponta que esse é um problema nacional, com impactos desproporcionais sobre jovens da periferia.

O levantamento intitulado “Pele Alvo: entre racismo e letalidade, o amanhã” analisa dados de 2025 em nove estados, incluindo a Bahia. No ano anterior (2024), a Bahia registrou 1.243 mortes por intervenção policial, em 346 dias de ocorrência. A maioria das vítimas era jovem (18 a 29 anos) e negra, representando 93,9% do total. Em números absolutos, 1.043 tinham 18-29 anos, 152 tinham 12-17 e 280 tinham 30-39.

A pesquisadora Silvia Ramos, diretora da Rede de Observatórios da Segurança, reforça que os dados não descrevem fatalidades isoladas. “Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias”, afirma o estudo. Já sobre a raiz do problema, o relatório aponta que a desigualdade herdada desde a abolição precisa ser enfrentada com políticas públicas mais robustas para a população negra.

“O Estado não promoveu políticas de reparação para a população negra após a abolição de 1888, consolidando mecanismos de controle social por meio do sistema penal e da segurança pública”, afirma Larissa Neves, pesquisadora da Iniciativa Negra. Ela ressalta que o racismo estrutural molda quem é visto como perigoso, suspeito, eliminado ou morto, o que alimenta o ciclo de violência.

Este é o quinto ano consecutivo em que a Bahia registra mais de mil mortes por intervenção policial, segundo o estudo. A pesquisa também aponta que 12 entre 417 municípios concentram metade das mortes em 2025, em meio à atuação de mais de 20 facções disputando o controle de territórios, o que coloca a juventude negra em uma posição de vulnerabilidade ainda maior.

Para mudar esse quadro, o relatório defende políticas públicas integradas: prevenção, redução da desigualdade, investimento em educação, cultura, trabalho, saúde mental e assistência social, aliadas a mecanismos de controle externo da atuação policial e a uma maior transparência na produção de dados, com responsabilização em casos de abuso.

A SSP-BA foi procurada pela reportagem, mas não respondeu até a publicação. A ausência de resposta é citada como entrave para entender as ações em curso e o ritmo de redução da letalidade. Fonte: G1.

E você, qual a sua visão sobre as políticas de segurança pública e os caminhos para proteger a juventude negra nas cidades? Compartilhe suas ideias nos comentários e participe deste debate importante para a Bahia e o Brasil.

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