Caso Viih Tube: reality pode virar ação judicial? Advogada explica

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O Ministério Público do Trabalho abriu um inquérito civil para apurar o reality de Viih Tube e Eliezer, avaliando impactos sobre direitos trabalhistas, consentimento e condições de trabalho. A advogada consultada alerta que essa é apenas a fase inicial, que reunirá documentos e depoimentos antes de qualquer conclusão.

O programa acompanha o dia a dia do casal e de seus empregados, com participação de trabalhadores em conteúdos produzidos pela empresa. Embora alguns participantes tenham afirmado estar ali de forma voluntária, o assunto permanece em debate do ponto de vista jurídico, pois a presença de uma relação de subordinação pode influenciar a liberdade de decisão.

A advogada Silvana Campos explicou à reportagem que a abertura do procedimento não é uma condenação, mas o começo de uma apuração. “O MPT busca indicar quais documentos e quais pessoas devem ser ouvidas para entender as circunstâncias dos fatos”, disse.

Entre os pontos a serem avaliados, a especialista cita: possível constrangimento dos trabalhadores, exposição da imagem, respeito à dignidade humana, assédio moral, liberdade para aceitar ou recusar a participação, alterações na jornada, pagamento de horas extras, desvio de função e questões de saúde e segurança no ambiente de trabalho.

Sobre o consentimento, Campos ressalta que o apoio público de alguns funcionários não afasta automaticamente a possibilidade de responsabilidade do empregador. “É preciso verificar se o consentimento foi realmente espontâneo e livre, sem receio de represálias ou influência da relação de trabalho”, afirmou.

A subordinação, reforça a advogada, é um dos pilares da relação entre empresa e empregado e pode impactar diretamente a autonomia de decisão do trabalhador. A análise vai considerar se houve pressão ou retaliação por concordar com a participação.

Outro aspecto a ser observado é a rotina durante as gravações: mudanças de jornada, ampliar o tempo de trabalho ou exigir atividades fora do previsto no contrato podem alimentar discussões sobre horas extras, desvio de função e descumprimento de normas trabalhistas.

Casos potencialmente constrangedores também entram no radar como possíveis violações de direitos: expor o trabalhador ao ridículo ou à humilhação pode violar a dignidade profissional, especialmente quando ligada à relação de trabalho.

Mesmo com prêmios em dinheiro envolvendo os participantes, a advogada destaca que isso não substitui a obrigação de manter um ambiente de trabalho saudável, respeitoso e livre de constrangimentos. Incentivos não eliminam a responsabilidade organizacional.

Se a investigação concluir irregularidades, o MPT pode propor um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) ou ajuizar uma Ação Civil Pública para reparação de danos coletivos. Trabalhadores também podem buscar reparação individual na Justiça do Trabalho.

A retirada de vídeos das plataformas não encerra a apuração. A medida pode reduzir a exposição, mas não impede que o Ministério examine se houve violação às leis trabalhistas no momento em que os fatos ocorreram.

Para quem acompanha o tema, o caso levanta questões relevantes sobre o equilíbrio entre entretenimento e proteção de quem trabalha nos bastidores. O debate não está fechado e novas informações podem orientar futuras decisões judiciais ou administrativas.

E você, qual é a sua visão sobre esse tipo de produção? Acha que limites já existem o bastante ou que precisam de regras mais rígidas para preservar a dignidade e a autonomia dos trabalhadores? Compartilhe sua opinião nos comentários.

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