Operação Sísifo, que apura a entrada de materiais ilícitos em presídios baianos, aponta que iPhones e smartphones de última geração eram prioridade entre os líderes do tráfico. O Ministério Público da Bahia, por meio do Gaeco, descreve um esquema no Conjunto Penal de Feira de Santana que resultou na condenação de 12 pessoas pela Justiça local, dois anos após a abertura das investigações.
Os aparelhos mais cobiçados eram introduzidos por funcionárias do setor de saúde, disfarçados dentro de caixas de remédios para passar despercebidos. Os preços variavam: aparelhos entre R$4.000 e R$5.000, enquanto os agentes cobravam cerca de R$1.500 a R$2.500 para viabilizar a entrada, dependendo do modelo. Um interno, Nestor Sales do Nascimento, é descrito como alguém que “só faz uso de telefone celular iPhone”.
A sentença, proferida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Feira de Santana, condenou 12 pessoas por corrupção passiva, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, estruturadas em três núcleos de atuação: servidores/policiais penais, atuação externa e internos. O caso evidencia uma rede que combinava favorecimento, movimentação financeira ilícita e entrada de aparelhos no sistema prisional.
Núcleo de Servidores Penais: Valmir Pereira de Jesus foi condenado a 27 anos e 11 meses de prisão por prevaricação imprópria, tráfico de drogas, corrupção passiva e organização criminosa, com cumprimento da perda do cargo público. Yure Pinheiro Costa, conhecido como “Cowboy”, e Gildo de Lima Almeida receberam 22 anos e 2 meses de prisão; Vitor Cerqueira de Oliveira e Isaías Gregório de Miranda Filho, “Barba Azul”, tiveram 18 anos e 2 meses; Ednilson Santana Mota, “Motinha”, ficou com 14 anos e 2 meses. Outros agentes, Valter Ferreira de Almeida e Leandro Calazans Amaral, “Santa Bárbara”, pegaram 8 anos e 5 meses, enquanto Rosana Souza de Oliveira, técnica de enfermagem envolvida na operação, recebeu 6 anos e 1 mês.
Núcleo Externo: Luana Priscilla de Jesus Moitinho, agente penal e professora da rede municipal, foi condenada por lavagem de dinheiro; a investigação aponta que sua conta serviu para movimentação de vultosas entradas, incluindo depósito de R$ 53 mil. Emerson Carmo dos Santos, eletricista e comerciante, atuou como o “braço financeiro” externo, ocultando recursos com uma remuneração de 3% sobre o valor movimentado.
Núcleo Interno: Genivaldo Reis dos Santos, conhecido como “Moá”, recebeu 3 anos e 10 meses por corrupção ativa ao articular o pagamento de propinas para os agentes. Nestor Sales e David Aparecido Pinheiro da Silva tiveram a punibilidade extinta após o falecimento durante o andamento do processo.
A decisão expõe uma engrenagem entre agentes penitenciários, criminosos internos e redes externas, revelando como propinas, lavagem de dinheiro e tráfico se entrelaçam para facilitar a entrada de itens ilícitos no sistema prisional. E você, qual é a sua opinião sobre a relação entre corrupção pública e segurança prisional? Compartilhe nos comentários.
