O Ifam vai adotar um sistema de Inteligência Artificial para prever queimadas na Amazônia com até 14 dias de antecedência e acurácia acima de 90%, orientando ações de Ibama, ICMBio e comunidades indígenas.
Batizado de IA-FogoBio, o projeto é liderado pelo pesquisador Diego Sales e combina redes neurais LSTM, CNNs e Random Forest para processar imagens de satélite da NASA e do INPE. O sistema também integra mapas de solo da Embrapa, biomas do IBGE e o histórico de queimadas dos últimos 20 anos, para mapear áreas de maior risco.
“A janela de antecipação fornecida pela IA garante o tempo necessário para que as equipes humanas decidam a quantidade de brigadistas, equipamentos e rotas mais seguras”, afirma o pesquisador.
As previsões são convertidas em alertas que chegam aos órgãos ambientais para ações preventivas. O objetivo é orientar decisões estratégicas, com uma margem de previsão entre 7 e 14 dias, mantendo a promessa de alta precisão.
O IA-FogoBio opera em três módulos — histórico, tempo real e predição — e busca cobrir 100% dos territórios indígenas. Em parceria com o Censipam, a ferramenta avisa as comunidades com até 6 horas de antecedência, fortalecendo a proteção local.
Financiada pela Google.org com cerca de R$ 1,9 milhão, a iniciativa funciona no Polo de Inovação do Ifam, que já utiliza energia solar. Especialistas destacam que a sustentabilidade da IA vai muito além da fonte de energia, exigindo práticas que reduzam impactos de hardware e consumo de água.
Além de prever queimadas, o projeto busca identificar as causas, com dados do Ifam cruzados com a IA apontando, em boa parte, origem humana dos focos. Entre junho e agosto de 2024, queimadas na Amazônia atingiram 2,4 milhões de hectares, liberando aproximadamente 31,5 milhões de toneladas de CO2.
O monitoramento envolve colaboração com Ibama, ICMBio e equipes locais, para intervenções rápidas e uso estratégico de recursos, com base no mapa de risco gerado pela IA.
O professor Júlio Maranhão, da USP, ressalta que a sustentabilidade da IA precisa ser um requisito do desenvolvimento tecnológico, não apenas uma compensação. “A energia solar reduz emissões, mas não elimina o consumo de água nem o peso do hardware”, aponta.
A implementação deve começar em Roraima no início de agosto, com expansão para o Amazonas logo em seguida.
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