Opinião: Binho Galinha é condenado e comprova a inércia do sistema político para lidar com uma crise instalada

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O caso de Binho Galinha, deputado hoje condenado, coloca a Bahia diante de um debate raro sobre a relação entre crime e política. Ele foi sentenciado a mais de 36 anos de prisão em um dos processos, porém continua filiado ao Avante e atua na base do governo de Jerônimo Rodrigues na Assembleia Legislativa. Enquanto as consequências políticas parecem pouco afetar sua imagem, o episódio expõe a distância entre a atuação pública e as acusações que cercam o parlamentar. O caso alimenta uma discussão sobre a existência de um “estado paralelo” que ganharia força no país.

Além da condenação, pesam acusações de formação de quadrilha (ou milícia), lavagem de dinheiro e suspeitas de homicídios, incluindo a morte do comparsa Charutinho logo após a sua soltura por habeas corpus. Ainda assim, críticas públicas são raras e a narrativa de impunidade persiste entre aliados. A divulgação da sentença provocou um posicionamento institucional da AL-BA, com Ivana Bastos reforçando o papel do Conselho de Ética no processo. Enquanto alguns veem o órgão como inoperante, ele fica sob pressão para esclarecer responsabilidades.

O governador Jerônimo Rodrigues foi reticente ao falar do aliado. Ele destacou a parceria nas últimas eleições e deixou claro que, politicamente, Binho é um problema do Avante. A sigla, até agora, não o afastou formalmente, e não houve decisão sobre a convenção que definirá novos candidatos. Há uma dose de escárnio entre interlocutores, mas também de indulgência com a situação, reforçando que a Bahia continua a ter uma bancada associada ao deputado, mesmo preso.

No campo eleitoral, as chances de reeleição parecem minguar, mas já se ventila a possibilidade de um herdeiro político — um familiar ou alguém da própria legenda — manter a representatividade no Legislativo, sob outra sigla. Fontes indicam que chegou a haver estudo para preservar a influência ligada ao caso, mesmo que Binho não vá às urnas. Rótulos de milícia, segundo o Ministério Público da Bahia, podem seguir sendo usados por quem ocupar a cadeira, mantendo a presença de uma atuação com reflexos na gestão pública.

A sensação de um “estado paralelo” que se aproxima é tema para reflexão: estamos mais próximos de uma democracia que tolera fatos graves ligados à política do que de uma estrutura que os controla? Como você enxerga esse cenário na Bahia e no Brasil? Compartilhe sua opinião nos comentários e participe da conversa sobre crime, ética e representatividade na política.

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